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Poesia e juventude

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RAIMUNDO PALMEIRA * Li com prazer o livro de Mellina Torres Freitas, O vôo das borboletas. A fotografia, na contracapa da obra, mostra ser muito jovem a poetisa. Que bom que os jovens de hoje não se esqueceram de tecer sonhos em palavras melodiosas. Porque, afinal, o sonho apetece a arte de bem viver, e felizes os que compõem poesias, pois fazem de suas mais lindas fantasias inspiração para conhecidos ou anônimos leitores. Gratificante mergulhar na leitura dos versos docemente compostos por essa talentosa escritora, principalmente porque pude perceber os cuidados da poetisa em manter os dois elementos principais caracterizadores da boa poesia, a rima e a melodia. Poema sem rima já é um tanto tendente à prosa, e sem melodia (aquela musicalidade da combinação de palavras de um verso que faz os lábios deslizarem como se cantassem uma canção), definitivamente não é poema. E Mellina tem em suas poesias essas duas características, as quais demonstra cultivar com o zelo e o carinho dos verdadeiros poetas. Poetas existem para sonhar e fazerem sonhar, pois afinal ao se compor um verso, perde-se a exclusividade sobre o mesmo, haja vista que os versos, como as borboletas, ao deixarem seu casulo, voam, deslizam sobre as flores de anônimos amores de mil formas, histórias, cores e memórias, de mil desenlaces. E sonham, como Mellina bem o diz no lindo poema que dá título ao livro, em se transformar um dia em sereias, imortais sereias encantadas dos mares de quimeras de cada um que tenha captado o sentimento do poema, ou tenha deixado despertar seus próprios sentimentos pela simples beleza da poesia. Na obra epigrafada, a autora se mostra em cada verso, em cada rima, menina, leve, doce, ingênua como uma borboletinha, uma fada menina compositora que sonha e encanta com seus sonhos; se motra madura, ao mergulhar na profundidade de amores maduros, mostrando conhecer o tamanho e as cores de sentimentos que vão desde a puerilidade de um beijo paterno ou materno até a profundidade de uma desilusão intensa, pois se os amores santificam, as desilusões só fazem amadurecer. É agradável folhear as páginas de seu primeiro livro, e sentir a poetisa deslizar, candidamente, como uma fadinha menina que já aprendeu a encantar, bailando sobre as palavras com uma familiaridade madura tão intensa, como quem já se encontrase no seu décimo livro. É uma graça ver que a jovem poetisa tem a maturidade de dotar seus versos de precioso encanto em rimas e melodia, o que falta a inúmeros poetas que se dizem consagrados. Esta primeira obra da poetisa Mellina Torres Freitas me encantou pela facilidade com que passa da ingenuidade de fantasias meninas à profundidade da essência de amores maduros. E que seja este o início de vôos constantes, como o vôo das borboletas. (*) É ADVOGADO

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