loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Livros que libertam .

.

Ouvir
Compartilhar

Miguel de Cervantes escreveu Dom Quixote, publicado em 1605, quando estava preso por dívidas. O explorador Marco Polo ditou textos sobre as suas aventuras para um amigo de cela, o que virou “O Livro das Maravilhas”, traduzido em português, em 1508. Existem autores consagrados, como Graciliano Ramos, com suas “Memórias do Cárcere”, Nélson Mandela, com “Os Infortúnios da Virtude”, e Antônio Gramsci e Oscar Wilde, com “Letters of Oscar Wilde”, que elaboraram grandes obras quando estavam presos.

São obras monumentais, que permanecem vivas, inclusive adaptadas para o streaming, como é ocaso de Marco Polo na Netflix. Isso não significa que a prisão seja um local recomendado para escrever livros, mas parece existir ali um ambiente que pode ser propício à leitura e até mesmo à escrita de textos, que podem até virar livros. Minimamente, a leitura pode ocupar as mentes de pessoas que estão reclusas e podem ser assim beneficiadas.

A população carcerária brasileira é a terceira maior do mundo, logo depois da China e dos EUA. Os números mudam constantemente, mas é algo em torno de 800 mil detentos. A maioria é constituída de pobres, sem escolaridade e de negros. Grande parte está detida por tráfico de drogas e as condições nas quais essa população carcerária sobrevive são sub-humanas, o que favorece o agravamento do perfil delituoso e da reincidência criminal, depois de soltos - não existem nem a prisão perpétua nem a pena de morte no Brasil.

Segundo o secretário de Ressocialização e Inclusão Social do Estado, Dr. Diogo Teixeira, o crescimento da população carcerária nacional é de 13% ao ano. Daí, por mais que se construam presídios, torna-se impossível abrigar tamanha demanda. Providências, como penas alternativas, trabalho e educação de presos, visando provisioná-los para que possam ser reinseridos na sociedade, são essenciais para eles, para suas famílias e para a sociedade em sua própria proteção.

Shorts Youtube
Play
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe

Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe

Play
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais

Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais

Play
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca

Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca

Play
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió

Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió

Play
Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"

Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"

Nesta semana, mais um passo foi dado nesse sentido: em uma já histórica sessão realizada na casa Jorge de Lima, da Academia Alagoana de Letras, a cúpula do Judiciário alagoano, com o presidente do TJ, desembargador Fernando Tourinho, o desembargador Celyrio Adamastor, representantes da OAB, juízes da 16a Vara, servidoras públicas e acadêmicos, regidos pelo presidente Rostand Lanverly, foi celebrada uma parceria para a doação de livros e a participação ativa dos acadêmicos nessa tarefa de, através desses livros, ir se obtendo a remissão das penas, pois a cada livro lido e resenhado ao mês, o apenado reduz em 4 dias a sua pena, podendo abrandá-la em 48 dias ao ano.

Esse projeto é intitulado Livros que Libertam, carinhosamente LILI. A Academia Alagoana de Letras avança e se associa ao venturoso trabalho desenvolvido em Alagoas para se dar uma segunda chance a essa população - e até mesmo uma primeira chance para quem nunca a teve - e se agrega a esse esforço humanístico pela recuperação dos que tanto anseiam por um aceno da sociedade. Os livros ajudam as pessoas, isso é um fato.

Relacionadas