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Opinião

Loucura e Arte

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RONALD MENDONÇA * Vincent Van Gogh suicidou-se aos 37 anos de idade, em 1890. Extremamente criativo, aperfeiçoaria uma nova fase na pintura e é tido como um dos maiores artistas de todos os tempos, ao lado de Da Vinci e Michel Ângelo. Portador de suposta doença mental que se manifestaria principalmente nos últimos 2 anos de vida, o genial pintor faz parte do seleto rol de ?loucos egrégios? que encantam e desafiam dos amantes da arte aos psiquiatras, passando pelos curiosos e palpiteiros em geral. Holandês de nascimento mas vivendo boa parte de sua vida produtiva na França, o grande mestre dos pincéis não chegou a usufruir da fama, posto que suas telas só alcançariam repercussão a partir de sua morte. De fato, no início, apenas um grupo extremamente fechado reconhecia qualidades na produção artística daquela excêntrica criatura. Privilegiado por uma febre criativa, Van Gogh costumava doar ? até por sobrevivência ? seus quadros às pessoas que gravitavam no seu mundo, e aí estavam incluídos prostitutas, médicos e freiras. Freqüentemente o destino dessas peças nem sempre era a sala de visitas. Uma das mais estranhas serventias foi a de alvo para treinamento de tiro. À exceção de um certo doutor Gachet, que teria pendores artísticos, de uma maneira geral os outros médicos não costumavam identificar beleza plástica naquelas figuras humanas deformadas ou nas paisagens modificadas. A coisa era tão complicada que poucos modelos profissionais arriscavam-se a posar para ele com receio de que suas expressões pictóricas viessem a ser ridicularizadas pelo público e perdessem prestígio. Daí, talvez, a profusão de tipos anônimos e a cenas populares no acervo do artista. A compulsão com que pintava, de quando em vez, era interrompida por conta de episódios de doença mental que alternavam fases depressivas e de excitação povoadas por delírios e alucinações, muitas vezes alimentadas pelo consumo de bebida alcoólica de alto teor, como o absinto. Superadas as crises, de forma espontânea ou com a ajuda da fraca farmacologia da época, Van Gogh retornava ao trabalho com igual furor. A psiquiatria e a psicanálise debruçaram-se sobre o psiquismo de Vincent a partir de sua biografia, história clínica e, sobretudo, pretenderam decifrar os enigmas de sua alma atormentada conspurcando sua maravilhosa obra. Com efeito, cientistas da estatura de Karl Jaspers e outros de semelhante nomeada, com disciplina de coveiros, não economizaram esforços para chegar a um consenso acerca do ?caso? famoso. As fantasiosas interpretações de suas telas e os disparatados diagnósticos matam de rir o leitor mais sisudo. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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