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N�meros do medo

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O governo comemorou, em dezembro último, o recolhimento de mais de 200 mil armas de fogo no País, tanto de uso permitido quanto de uso restrito. Foi essa marca festejada como referência da bem-sucedida mobilização nacional pela aplicação integral do Estatuto do Desarmamento, aprovado pelo Congresso em 2003. A nova legislação restringiu a posse de armas, permitindo o porte apenas para militares, policiais, responsáveis pela segurança e casos funcionais previstos em legislação específica. Acabou também com os portes e registros estaduais - documentos hoje concedidos somente pela Polícia Federal. A nova lei prevê ainda a realização de um plebiscito sobre a comercialização. Essa ampla consulta à nação já foi aprovada para acontecer em outubro vindouro. Conta com o apoio de importantes segmentos da sociedade civil organizada, a exemplo das igrejas cristãs que incluíram o apoio ao referendo entre os temas da Campanha da Fraternidade. Lamentavelmente, a poucos meses de tão importante decisão pelo voto, tem mais gente contra do que a favor da sua realização, segundo revelado pela pesquisa CNT/Sensus. De acordo com este levantamento, o índice de aprovação ao plebiscito caiu de 73,6% em março de 2004 para 48% agora, enquanto o percentual dos que são contra subiu de 23,4% para 48,8%. Para o cientista político da CNT, Sérgio Ricardo Guedes, estes números podem indicar que, mesmo com a campanha pelo desarmamento, a população não percebeu efeito prático na queda da violência e que o recolhimento de armas não resolveu o problema da segurança pública. Infelizmente, isso parece ser verdade. Até porque, no entendimento de 80,2% dos entrevistados, a violência piorou nos últimos seis meses. Os últimos acontecimentos nas diversas regiões do País, incluindo as mortes por questões de terra no Pará, e ? em Alagoas ? a chacina com três mortes e cinco pessoas feridas na zona rural de Mata Grande, para citar apenas estes casos, vieram aumentar ainda mais a onda de medo e a sensação de muitos que, desarmados, estão mais vulneráveis.

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