Opinião
Ainda a viol�ncia
Revela a mais nova Síntese dos Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que entre os anos de 1980 e 2003, o número de mortes causadas por homicídios e acidentes de trânsito passou de 121 para 184 a cada 100 mil habitantes. Os jovens de 20 a 24 anos são as principais vítimas, e por isso, ?a sensação de que existem mais mulheres que homens no País deixou de ser um presságio para se tornar uma estatística?. Durante o citado período, foi computado um total de 2,1 milhões de óbitos dessas causas externas (violência e acidentes de trânsito), dos quais 1,7 milhão (82,2%) corresponde a óbitos masculinos. O IBGE também mostraria, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNDA) que em quase 70% dos assassinatos de homens entre 15 e 24 anos, ocorridos em 2002, houve utilização de arma de fogo. O índice desses óbitos chegou a respectivos 91% e 89% nos estados do Pernambuco e do Rio de Janeiro. De 1991 a 2000, o Brasil registrou aumento de 95% nas taxas de mortalidade masculina por homicídio com armas de fogo. Foi observada redução nessas taxas em apenas cinco estados - Acre, Maranhão, Amazonas, Santa Catarina e Pará. E houve um aumento assustador deste tipo de crime nos estados de Mato Grosso (343,7%) e Roraima (324,2%). Outros estados do Nordeste apresentaram crescimento na quantidade de assassinatos de pessoas jovens a tiros, a exemplo do Piauí (256,6%), de Alagoas (254%), Paraíba (237%) e Bahia (230%). É preciso um basta urgentíssimo em cada motivo do avanço deste problema, desta situação de verdadeira guerra civil nas cidades brasileiras, que tende a ser cada vez mais amedrontadora nos estados mais afetados pelas causas das desigualdades sociais e econômicas e mais necessitados de recursos como o nosso, agora destacado no Mapa da Violência da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, referente a 2004, com 519 assassinatos de jovens com idades entre 15 e 25 anos, sendo 220 só na região de Maceió, como informamos na edição de domingo último.