Opinião
Em memória de Caxias .
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O Exército Brasileiro começou a tomar forma ainda no Império, quando era submisso às tropas portuguesas que chegaram aqui com D. João VI e a Corte Portuguesa em 1808, fugidos das tropas e Napoleão, que invadiram Portugal. Esse processo evoluiu na Guerra do Paraguai (1864-1870) quando se diferenciou da Guarda Nacional - um grupo formado por proprietários rurais e senhores de engenho pouco dispostos a enfrentar um cenário de confrontos bélicos selvagens –- onde Caxias viria a consolidar o seu perfil de estrategista militar e Osório a sua bravura em campo de batalha.
Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o Brasil desempenhou relevante papel ao enviar uma equipe de médicos e enfermeiras e montar um hospital em Paris, onde além de tratar os feridos no conflito, destacou-se no tratamento de vítimas da Gripe Espanhola, que fez mais vítimas que as armas de fogo. Entre as suas páginas mais gloriosas está a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial ao lado dos aliados, que defendiam a democracia contra as tiranias nazifacistas. O símbolo da FEB era uma cobra fumando, justamente como resposta aos negativistas que afirmavam que “seria mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra” Foram 25. 834 homens e mulheres brasileiros que foram lutar na Itália em 1943, quando tivemos 500 baixas.
Mas não só por participação em guerras e na Medicina existem motivos de júbilo para o Exército: também por sua atuação como exímio diplomata para encerrar a Guerra dos Farrapos (1835-1845), Caxias tonou-se o seu patrono e o inspirador da Medalha do Pacificador, honraria que é concedida a quem contribua para elevar o seu prestígio junto à população e a comunidade internacional .O Exército Brasileiro tem entre as suas principais missões estabelecer a paz e a estabilidade no território nacional e até alhures, como o fez, recentemente, no Haiti.
Mas como todo conglomerado humano, o Exército pode ter entre os seus componentes alguns que não correspondam às expectativas e precisam responder por isso, até para separar o joio do trigo e preservar a Instituição. O Exército Brasileiro é uma instituição permanente do Estado Democrático de Direito. Ele e as demais forças, a Marinha e a Aeronáutica, não estão atrelados a governos passageiros, sejam eles quais forem. O respeito à Constituição, que dita as normas legais que regem todas as atividades nacionais, delineiam superiormente as suas atividades e a sua missão, observando-se disciplinarmente o que o general Geisel, o fiador da redemocratização, afirmava: “Quando a política entra pelo portão de um quartel, a disciplina sai pelos outros”. Farda e política não combinam.
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Que o Sete de Setembro de 2023 seja celebrado dentro de um ambiente institucionalmente disciplinado e publicamente respeitoso, eminentemente civilizado e pacífico, explicitamente digno e harmônico, o que tanto se faz necessário para o Exército Brasileiro e as Forças Armadas, como também para a estabilidade, a previsibilidade e os interesses maiores da Nação brasileira.