Opinião
Ind�stria e cultura
GILBERTO DE MACEDO * É matéria complexa, da competência dos especialistas da Economia e, complementarmente, da Engenharia, da Tecnologia, da Administração. Mas, uma breve e superficial apreciação como a presente, qualquer um pode fazê-la. Sabe-se, das informações, daí emanadas, e mesmo através dos meios de comunicação, além da experiência do cotidiano que a industrialização é uma das bases, se não a mais importante, do progresso econômico na evolução da sociedade contemporânea. Trata-se do processo de instalação de indústrias. Processo este pelo qual as sociedades adquirem o equipamento, a organização e as capacitações necessárias para se dedicarem à produção em massa, utilizando tecnologia química ou eletrônica. Acontece uma revolução econômica que descontinuamente, substitui a agricultura, nessa nova identidade social, dita pós-industrial. Um novo modo de vida resulta daí. Característica sociedade moderna. É a passagem súbita da economia agrária para a economia elétrica. Não é um evento passageiro, mas um estado de coisas que, cada dia avança vertiginosamente. É o progresso material que não pára, sobretudo nos países mais adiantados, nessa competição sem limites, sobretudo a partir da globalização. A industrialização teve início no século XIX nos países da Grã Bretanha, estendendo-se para outros países do mundo, caracterizando uma época. E notadamente, após a Segunda Guerra Mundial, com os padrões de vida, cada vez mais altos. A industrialização tem sido objeto de críticas quando, mal conduzida, tem causado lutas de classe nas relações com os trabalhadores que se diziam tratados como mercadorias. Porém, a prática da justiça democrática tem sido capaz de corrigir as distorções. Assim grupos empreendedores, públicos e privados, têm estabelecido com êxito a industrialização através de critérios políticos corretos a serviço do progresso. Tais iniciativas, porém, ensinam os mestres, não se hão de realizar tão voluntariamente, senão atendendo aos imperativos das ciências humanas e sociais. Visão mais plausível porquanto atende com mais justeza à realidade da sociedade na qual se pretende implantar a industrialização. Ciências humanas que dizem da necessidade de se levar em conta a cultura da sociedade, a fim de que se evitem aqueles graves conflitos inicialmente silenciosos, mas que logo explodem com os tempos, esgotados os limites de tolerância psicossocial. Isso para que as regras da industrialização não irrompam contra as normas culturais tradicionais, mas se afirmem em progressiva harmonia. Assim diz-se evolução social. Será o progresso social no seu verdadeiro conceito científico, acima dos interesses particulares de países e grupos exploradores. Indústria e cultura, complementando-se, a serviço do homem e da sociedade. Indústria inevitável! Cultura essencial! Apanágio da sociedade humana. Havemos que reconhecer. Tem-se, assim, o desenvolvimento econômico com justiça social, tal como se constata na democracia. É quando acontece o empreendimento da industrialização atento à realidade da cultura. Pois nada pode ignorar essa no domínio da sociedade. Seria contrariar os fatos e ocultar a verdade. Afinal, portanto, que se instale como um complexo inseparável, no âmbito da sociedade, o binômio indústria- cultura esse o verdadeiro progresso social, que associa utilidade e valores, conforme os ideais da humanidade na civilização. Sem os valores da cultura a imposição da indústria pode infringir os direitos dos habitantes da região, quanto à justiça e à liberdade do cidadão. Atendamos, pois aos ensinamentos das ciências sociais. (*) É PSICÓLOGO