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Nº 5749
Opinião

Doenças da aorta podem provocar morte súbita

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Por Josualdo Euzébio Silva - médico cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular | Edição do dia 11/10/2023 - Matéria atualizada em 11/10/2023 às 04h00

“Pense aorta” é o alerta para garantir mais qualidade de vida, durante o mês de setembro, destacando doenças da circulação, ainda pouco conhecidas, mas que provocam muitas mortes. A artéria aorta, por exemplo, é considerada o canal mais importante do corpo, sendo também a maior e parte essencial para o adequado funcionamento do organismo, evitando problemas como aneurisma e a dissecção.

A função dessa calibrosa veia é transportar o sangue oxigenado para o corpo, saindo do ventrículo esquerdo do coração e se ramificando em outras artérias. Os temíveis aneurismas são decorrentes da dilatação anormal das artérias, por defeito ou enfraquecimento, rompendo-se e causando hemorragia.

O problema pode ocorrer no abdômen e tórax. O principal risco está no caráter silencioso, culminando com a morte de muitas pessoas, afinal os sintomas somente surgem quando o problema já está avançado. Os sinais mais comuns são a aparência roxa dos membros, dor, sensação gelada e a falta de pulso.

O perigo também está na trombose, ou seja, quando um coágulo de sangue se encontra nas artérias e apresenta o risco de se desprender, causando mais complicações e, inclusive, podendo provocar amputação de membros.

Já a dissecção da aorta, um pouco menos conhecida, contudo, tem o mesmo potencial letal. Trata-se de uma lesão na parede interna da artéria, permitindo a invasão do sangue com a abertura de novos caminhos, entre o revestimento interno e a camada média, afetando a irrigação adequada em determinados órgãos. Vale alertar que em casos de situação avançada, o rompimento total da camada externa causa morte súbita.

Alguns sintomas indicam o início da patologia, como uma dor muito forte, que, normalmente, se inicia no peito e se expande para as costas e braços. Devido à origem, muitas vezes, é confundida com um infarto.

Quem tem hipertensão e aterosclerose, ou seja, quando as artérias se endurecem, aumenta os riscos e se tornam a principal causa de 75% dos diagnósticos, assim como as síndromes de Marfan e Ehlers-Danlos, deixando a estrutura mais frágil.

O tratamento costuma envolver acompanhamento médico e cirurgia, como no caso da dissecção, através de procedimento para impedir o sangue de entrar pela parede da aorta. Para a correção do aneurisma, é possível contar com um implante de alta tecnologia, chamado de endoprótese, minimamente invasivo, diferente da cirurgia aberta.

O método será definido, conforme as características do caso e as necessidades do paciente, visando reduzir os riscos e garantir uma melhor qualidade de vida.

Os problemas comprometedores da aorta decorrem de fatores hereditários e, por esse motivo, a recomendação é conhecer o histórico familiar. O diabetes, pressão arterial elevada e o colesterol alto são motivos de risco. A população deve se preocupar em manter uma vida saudável com a prática de exercício físico, alimentação balanceada (com baixa ingestão de sal e gorduras), reduzindo o consumo de álcool e interrompendo o consumo do cigarro, extremamente prejudicial.

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