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Dia Internacional da Mulher

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LYSETTE LYRA * Antigamente, para reforçar a cultura machista, era negada ao sexo feminino, a escola. As mulheres eram submissas e só lhes permitiam os trabalhos domésticos, prendas manuais e as ocupações maternais e matrimoniais. Algumas mal sabiam assinar o nome. Eram, definitivamente, relegadas ao papel de esposas e mães. Felizmente, aos poucos, as mulheres foram rompendo o silêncio. Começaram a ter professoras particulares para o ensino primário e as aulas de piano tornaram-se parte do currículo de uma jovem de família de nível econômico privilegiado. Algumas começaram a escrever e faziam poesias, inicialmente para distrair a família. Depois de dominarem a alfabetização, outras, mais ousadas, rebelaram-se e criaram pequenos jornais comunitários que escandalizavam a burguesia e a aristocracia da época, as quais recebiam, com desaponto, o atrevimento das escritoras. No século XVIII Mary Wolstonecraft, num livro clássico, defendeu a educação para as moças. Em 1827, no Brasil, foi editada uma lei que admitia as meninas, apenas, nas escolas elementares. Em 1852, Paula Manso de Noronha lançou ?O Jornal das Mulheres?, mas não podia defender os direitos das mesmas para que não fosse proibido de entrar nas casas de família. Outras mulheres corajosas, através dos séculos, insurgiram-se publicamente contra a discriminação do sexo feminino: como Francisca Motta, que defendia, para as mulheres, o direito de votar e ser votada para a política; Maria Heráclia com o ?Jornal das Damas?; Amélia Carolina da Silva Couto com o ?Eco das Damas?; Maria Augusta Estrela e Josefa Agueda de Oliveira que, em Nova York, em 1877, editaram o jornal ?A Mulher? ? todas empenhadas em defender os direitos da mulher e mostrar a sua capacidade para as letras e outras ocupações fora do lar, até então, exclusivas ao sexo masculino. Em Paris, Jorge Sand foi obrigada a usar um nome masculino e trajar-se de homem para poder ocupar uma cadeira na rígida Academia Francesa de Letras. No Brasil, somente há alguns anos, permitiram a entrada de mulheres na Academia Brasileira de Letras. A primeira foi Raquel de Queiroz. Berta Lutz, aqui no nosso país, teve um lugar destacado nas lutas feministas. Na França, Simone de Beauvoir lançou seu livro ?O Segundo Sexo?, onde faz uma análise da condição da mulher. Nos Estados Unidos Betty Fridan escreve ?A Mística Feminina?, onde apresenta uma crítica feminista sobre o papel da mulher na sociedade. Finalmente, em 1920, conseguem as mulheres americanas o direito ao voto, que só chega ao Brasil, um pouco mais tarde, com Getúlio Vargas. Pouco a pouco o sexo feminino vem conquistando outros direitos que lhe dão equidades nas relações de gênero, na pauta do Congresso Nacional. Hoje, apesar de ainda não terem conseguido totalmente sua emancipação, as mulheres vêm se mostrando igualmente capazes aos homens em qualquer atividade social e, assim, vão conquistando seu lugar em todos os setores da sociedade. Em Maceió, Nise da Silveira tornou-se famosa por ter sido a primeira alagoana a abraçar a Medicina. Hoje, sete cadeiras da Academia Alagoana de Letras são ocupadas por mulheres. Outras tantas na Academia Maceioense de Letras, no Instituto Histórico e na recém-fundada Academia Alagoana de Cultura. Na política o sexo feminino tem mostrado sua capacidade e poder. Dentre outras, damos o nosso voto de louvor a brilhante alagoana, Lourdinha Lyra, incansável na luta pelos seus ideais. Infelizmente, nem todos os países do mundo concederam à mulher um lugar ao sol. Algumas culturas, presas a fanatismos religiosos e a tradições arcaicas, conservam as mulheres dentro de uma discriminação revoltante, o que muito concorre para o atraso de tais civilizações. Em contrapartida, em certas nações do ocidente, a mulher leva a liberdade às raias da libertinagem, desvalorizando-se, vulgarizando-se com seus excessos, perdendo aquele encanto que o recato lhe emprestava. (*) É MEMBRO DA ACADEMIA MACEIOENSE DE LETRAS

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