Opinião
CRISE ALIMENTAR .
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Em mensagem divulgada ontem, Dia Mundial da Alimentação, o secretário-geral das Nações Unidas, o português António Gutérres, fez um apelo para que a superação da crise alimentar seja prioridade máxima da agenda global. Atualmente, a ONU estima que cerca de 780 milhões de pessoas passam fome em todo o mundo.
Gutérres pediu que governos, setor privado, sociedade civil e o mundo acadêmico atuem em conjunto priorizando a alimentação dos que mais sofrem com a falta de comida. Ele também pede investimentos em soluções de longo prazo para garantir que todos tenham acesso à alimentação.
Para o secretário-geral, é escandaloso que, num mundo de abundância, uma pessoa morra de fome a cada poucos segundos, e o Programa Mundial de Alimentos tenha sido forçado a cortar seus programas de ajuda essencial.
Oito anos após a adoção da agenda global em 2015, o número de pessoas que continuam a sofrer de fome tenha aumentado consideravelmente, apesar dos avanços realizados nos anos anteriores.
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Este ano, o lema do Dia Mundial da Alimentação é “Água é vida, água é alimento. Não deixe ninguém para trás”. Um dos objetivos é mobilizar a ação global pela transformação dos sistemas agroalimentares.
Atualmente, há cerca de 2,4 bilhões de pessoas em países com escassez de água. Mais de 600 milhões dependem de sistemas alimentares aquáticos enfrentando poluição, degradação dos ecossistemas e impactos das alterações do clima.
O fato é que a fome continua sendo um dos graves problemas da humanidade. As causas são várias – conflitos, eventos climáticos extremos ligados à mudança climática e desaceleração econômica.
O mais grave é que um estudo da FAO já mostrou que a produção mundial de alimentos é suficiente para suprir a demanda das 7,3 bilhões de pessoas que habitam a Terra.
Concentração da renda e da produção, falta de vontade política e até mesmo desinformação e consolidação de uma cultura alimentar pouco nutritiva são fatores que compõem o cenário da fome e desnutrição no planeta – é a fome em grandes plantações.
De acordo com a ONU, para erradicar a fome é preciso uma transformação da economia rural, mas também uma mudança de comportamento da sociedade, que combata o desperdício e faça chegar a quem não tem as sobras que de alimentos que, embora próprios para consumo, muitas vezes são jogadas no lixo.