Opinião
Viol�ncia e paz
DOM FERNANDO IÓRIO * Apesar de fortemente armado, vive o mundo medroso, espantadiço, acoelhado. Falta-lhe a paz. No primeiro dia de janeiro de 2005, Dia da Paz, João Paulo II enviou a todos os povos mais uma dentre as 37 grandes mensagens sobre a Paz enviadas pelos Sumos Pontífices, desde 1968. Sua mensagem foi baseada na Carta de Paulo aos romanos (2,21): ?Não te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem?. A paz é fruto da justiça, do perdão, do amor. É a longa e árdua batalha vencida, quando o mal é derrotado pelo bem. Ninguém vence violência com violência, ninguém derrota o mal com o mal. Quanto mais violência, mais terrorismo, mais insegurança, menos tranqüilidade. Devemos ser criaturas promotoras da paz. Devemos ser a mudança que desejamos ver no mundo. Nessa Quarta-Feira de Cinzas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Segunda Campanha da Fraternidade Ecumênica com o tema ?Solidariedade e Paz?. Mais do que em outros anos, esta Campanha pela Paz é urgente em nosso Brasil considerado pela ONU o País com um dos maiores índices de violência urbana, onde mais se mata e se morre por arma de fogo. O armamentismo se fundamenta na violência preventiva. Diante da ameaça do risco de ser vítima assume a pessoa o direito de ser violenta: fazer guerra antes que o outro me ataque. Diante do que se disse, importante reflexão se faz necessária: o mal tem sempre um rosto e um nome ? o rosto de homens e mulheres que o escolheram livremente. O mal pode chamar-se Herodes ou Pilatos, Anás ou Caifaz, Hitler ou Mussolini, Joaquim ou Manoel. Pode ter o meu nome ou o seu, o seu ou o meu rosto, o nome ou o rosto de quem quer que se esquive das exigências do amor. É bem que saibamos que um ato de amor pode vencer milhares de atitudes violentas. O bem nasce do amor, manifesta-se como amor e é orientado pelo amor. Por isso é feliz quem promove a paz, vencendo o mal com o bem, em favor da cultura do amor. Que esta Campanha da Fraternidade nos mergulhe a todos em decisiva campanha permanente de desarmamento. Cada um seja capaz de transmitir ao vizinho uma antiga bênção irlandesa: ?Que o teu caminho seja brando a teus pés, que o vento sopre leve em teus ombros. Que o sol brilhe cálido sobre tua face, que as chuvas caiam serenas em teus campos. E até que, de novo, eu te veja, que Deus te guarde na palma de Sua mão?. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS