Opinião
Cidadania agredida
Decididamente, as atitudes dos chamados sem-terra passaram dos limites. Certamente, consideram-se latifundiários da bagunça, coronéis da baderna. Não existem justificativas plausíveis para os tumultos provocados ontem, e o que é pior, seus autores demonstram evidente disposição de radicalizarem na anarquia. Donos da verdade, desdenham da opinião pública, dos direitos dos demais trabalhadores, dos bens públicos, da propriedade privada. E qual a reivindicação dos ditos sem-terra? As exigências motivadoras da ocupação dos espaços públicos podem ser resumidas em uma única: a demissão do atual superintendente do Incra. Não se está lutando por terra, por água, por comida, por trabalho. A bandeira dos tumultuadores da Praça Sinimbu é mesquinhamente politiqueira, personalista. Querem afastar de um cargo de confiança do governo federal uma pessoa que lhes desagrada. Nada mais além disso. E estariam os sem-terra com razão nessa exigência? Se a tiveram, por algum motivo, em algum momento, a perderam graças a esse comportamento despolitizado e baderneiro. Não percebem as lideranças do MST que a população lhes critica tal comportamento? Não percebem os líderes da baderna da Praça Sinimbu que suas bandeiras estão sendo esgarçadas pelo próprio movimento com ações como essas? Ou não se interessam os autoproclamados sem-terra pelo apoio e pela simpatia do povo alagoano? Nenhum movimento social prospera sem o reconhecimento do povo e a opinião pública é essencial para o sucesso de qualquer causa ? seja contestatória ou conservadora. Se não tiverem a grandeza de entender que as bandeiras da transformação social exigem algo mais que um comportamento agressivo, os líderes do MST precisam ao menos aprender a abrir mão da arrogância e considerar as opiniões dos demais trabalhadores, respeitar os direitos e deveres básicos da democracia. Os sem-terra não podem permitir sua transformação em um movimento anticidadania.