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Opinião

Uma grande ratoeira .

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Einstein era judeu e conseguiu fugir da Europa sob o nazismo para os EUA, onde lecionou e exerceu a física. Convidado para participar do Projeto Manhattan, poderia liderar facilmente Oppenheimer e equipe, que ao final obtiveram as primeiras bombas atômicas detonadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Einstein não só recusou participar, como escreveu ao presidente Truman alertando-o para o perigo da empreitada.

Einstein lutou bravamente contra o seu uso, tendo sido em consequência perseguido grosseiramente como “comunista”... Depois, escreveu: “Os humanos inventaram a bomba atômica, mas nenhum rato inventaria a ratoeira”. Einstein enxergava além: tal artefato de destruição logo seria de domínio dos inimigos, como o foi da União Soviética. Atualmente, são vários os países que o detém, entre eles o instável Paquistão e a belicosa Coreia do Norte, somando entre 12.500 e 13.000 ogivas nucleares, o que pode destruir a Terra pelo menos 6 a 7 repetidas vezes.

O que motivou as duas Grandes Guerras Mundiais poderia ser resumido por Karl Kraus (1874-1936): “A guerra, a princípio, é a esperança de que a gente vai se dar bem, em seguida, é a expectativa de que o outro vai se ferrar; depois a satisfação de ver que o outro não se deu bem; e, finalmente, a surpresa de ver que todo mundo se ferrou”. São exemplos recentes as guerras do Vietnã e do Afeganistão, em que, depois de décadas, os EUA saíram num cenário de caos.

Tal raciocínio, todavia, não se aplicaria ao que se desenrola entre Israel e a Palestina. Quando o Hamas perpetrou o ataque terrorista de 7 de outubro na fronteira de Gaza, que eliminou mais de 1.400 civis, atrocidades acrescidas por mais de 250 reféns, sabia que estava incendiando o antigo Levante, o que inevitavelmente trar-lhe-ia em resposta uma represália gigantesca, como ora se constata.

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O Direito Internacional reconhece a chamada punição coletiva. É o direito de Israel de se defender e de exterminar o Hamas. Todavia, o contínuo bombardeio da Faixa de Gaza, onde se acotovelam mais de 2 milhões de habitantes, mostra-se desproporcional: a maioria das vítimas é de civis, predominantemente mulheres e crianças. Ali, o Finados apresenta-se diariamente, mas sem feriado. O banho de sangue é suplementado cruelmente por privação de comida, água, energia elétrica, combustível e remédios básicos. O corredor humanitário de Rafah, perversamente retardado, é absolutamente insuficiente. Desenha-se uma tragédia humanitária de proporções bíblicas.

Essa ratoeira de horrores em que a Faixa de Gaza se transformou pode ser o leitmotiv para unir as populações das nações muçulmanas que rodeiam Israel, pressionando seus governos, tornando Israel igualmente refém de outra ratoeira. A questão não seria defender um chocolate ou um dos lados do conflito, as redes sociais estão aí para isso e para desinformar os usuários. A questão maior é a que Ninon de Leclos escreveu “O amor é como a guerra; fácil de começar e difícil de terminar”. O Hamas precisa da guerra para se manter ativo e Netanyahu dela necessita para sobreviver politicamente. O mesmo não ocorre com os civis, entre os quais estamos incluídos, todos reféns dessa ratoeira gigantesca que é a insanidade humana.

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