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Saud�veis exce��es

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MARCOS DAVI MELO * A situação delicada das santas casas de misericórdia no Brasil foi motivo de uma matéria no programa Fantástico de domingo passado. Mostrava que 95% dessas instituições hospitalares estão falidas, com débitos gigantescos, como as santas casas de São Paulo e de Belo Horizonte, os dois estados brasileiros mais ricos, que devem juntos mais de R$ 200.000.000,00. As santas casas de misericórdia foram as primeiras instituições hospitalares a se instalar em nosso País, sendo a de Santos em São Paulo instalada poucos anos após o descobrimento, a mais antiga delas. Atualmente estão presentes em todo o Brasil 80% delas no interior e são responsáveis por 1,8 milhão de atendimentos ambulatoriais por dia, 38% dos internamentos hospitalares do SUS; empregam 450 mil pessoas e 140 mil médicos. Qual seria então a razão para que a grande maioria destas tradicionais instituições esteja falida? Unicamente má gestão? Existe um estudo recente do BNDES que responde oficialmente a esta questão. O veredicto do BNDES mostra que: ?Na maioria esses hospitais têm baixa performance gerencial?, todavia, o mesmo estudo ?Confirma a importância do setor filantrópico para a política pública de atenção hospitalar no País e que deve ser conferido ao segmento especial atenção na formulação de políticas públicas de saúde?. Essas instituições filantrópicas são obrigadas a internar o mínimo de 60% de pacientes do SUS em seus leitos e está comprovado que os procedimentos realizados pelo SUS dão prejuízos aos que os realizam. Daí que quanto mais atendem ao SUS maior é o buraco em que entram. A Santa Casa de Misericórdia de Maceió, mesmo sediada em um dos estados mais pobres da nação, está entre a pequena minoria de 5% das entidades saudáveis. Isto porque há 20 anos, a diretoria vislumbrou que para continuar dando um atendimento digno ao carente, precisava atender também à classe média que possuía um convênio privado (8% da nossa população); o arrecadado deste atendimento propiciaria, como tem propiciado, o atendimento digno ao restante dos 92% da população. Esta providência, associada a investimentos em tecnologia, pessoal e qualidade nos procedimentos, junto a um rigor pallociano no controle de gastos, permitiu que a Santa Casa de Misericórdia de Maceió estivesse entre as 5% saudáveis. Mas isto não é motivo para euforia, o quadro predominante no País ameaça todos, é desesperador e providências precisam ser tomadas com urgência, pois uma parte significativa da população brasileira depende destas entidades para a sua assistência médica. (*) É MÉDICO

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