Opinião
A nau dos insensatos
Parece brincadeira, mas é coisa muito séria. O vaivém do confronto no qual se atirou o Movimento Sem Terra contra a direção estadual do Incra se agita no rumo de um desfecho que pode ser trágico. Os sem política, sem habilidade, sem jogo de cintura, parecem que tomaram conta das negociações. Não se avança, não se recua e a situação piora a olhos vistos a cada dia. Conforme analisado dias atrás, não existem na pauta reivindicações como terra, como condições de trabalho na terra, como financiamento, nem cestas básicas, nem saúde, nem educação. A sociedade, pasma, assiste ao amadurecer de um conflito que se anuncia trágico cujas bases são eminentemente partidárias ? considerar essa disputa como política nem seria o caso, pois o objetivo está muito mais para o puro fisiologismo. Direção estadual do Incra e Movimento Sem Terra parecem estar se digladiando por interesses menores, interesses de grupos, de indivíduos. Os erros gritantes cometidos pelo MST condenam esse movimento, mas não inocentam os dirigentes do Incra. Ou toda essa explosiva situação desabrochou porque os tresloucados dirigentes dos sem terra simplesmente não simpatizam com o atual superintendente do Incra em Alagoas? O fato do MST ter perdido a razão em função de sua estupidez agressiva não significa, a priori, que esses ensandecidos baderneiros não tenham tido seus motivos para protestar. Motivos esses para os quais não existem condições, no momento, de se esclarecer. A arrogância do MST turva qualquer visão de boa vontade para com os que estão a praticar tamanho tumulto em Maceió. Resta à população alagoana, frente à obviedade da ausência do pensamento lógico e racional nessa contenda, torcer para que algum motivo imponderável faça dissipar essas nuvens carregadas de tragédias que se acumulam sobre a Praça Sinimbu e suas vizinhanças. Resta-nos a esperança de que esses acontecimentos venham a ensinar algo de bom aos irresponsáveis que estão a produzir esse espetáculo anticidadania.