Opinião
Indecis�o federal
Mais uma semana está se encerrando e a reforma ministerial segue sem começo. Nem começo, nem meio, nem fim; a reforma embolou antes da saída e essa indefinição expandida prejudica o País. A confusão é grande e mina a autoridade dos ministros como um todo e não apenas os que estão na frigideira. Empacam as tramitações dos processos, projetos grudam nos escaninhos, nada progride na Esplanada dos Ministérios. No fulcro da questão, a incompreensão do PT e a indecisão do presidente da República. O móvel da ?incomeçável? reforma é a necessidade do governo em ampliar sua base de partidos aliados, adequando o perfil da máquina federal ao resultado das eleições municipais de 2004, como fórmula de se equilibrar a composição de governo visando uma maior representatividade e, naturalmente, fortalecendo alianças para o ano seguinte, quando das urnas sairão nada mais nada menos que o presidente da República, 1/3 dos senadores, os deputados estaduais, os deputados federais e os governadores. Essa operação só fecha com sucesso se forem somadas cadeiras ministeriais aos mais fortes partidos aliados e se forem subtraídas cadeiras ministeriais ao PT (que detém, de longe, o maior número de postos na Esplanada). Essa conta só passa na prova dos nove se a soma casar com a subtração. O problema é que o PT não só resiste a qualquer tentativa de redução de seus espaços na máquina governamental, como ainda quer mais postos ministeriais. Indeciso, sob intensa pressão, o governo federal segue sem mudanças, adiando sempre a data do anúncio do novo ministério ? ou melhor, do ministério seminovo, porque todas as informações dão conta de que tímidas serão as alterações efetivamente significativas. Na indecisão, o governo patina, o País se atrasa mais um pouco. Só não param de aumentar os juros (a cada reunião do Copom, um novo pulo na agiotagem) e não pára de crescer a voracidade tributária (vide PP 232). E entraremos em mais uma semana, com a esperança de que, enfim, as decisões sejam tomadas.