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HUMBERTO MARTINS * O que o poder público investe em obras de saneamento, além de beneficiar as parcelas da população que tem suas casas ligadas à rede de esgotos, significa economia no setor de saúde, porque evita a proliferação de grande número de doenças. Essa realidade está documentada por sucessivas estatísticas feitas em Alagoas e nos demais Estados. Por longo tempo, essa situação foi ignorada, inclusive porque, sendo as obras de saneamento executadas no subsolo, chamam pouca atenção para seus executores, não obtendo as repercussões geralmente almejadas pelos que objetivam granjear popularidade. Praças, calçamento e demais obras de superfície ganhavam assim prioridade. 70% das habitações ? casas e apartamentos ? de Maceió não têm ligação com a rede de esgoto, de acordo com o Mapa de Infra-estrutura Urbana, apresentado pela Unidade executora Municipal Fiscal, órgão da prefeitura local. O quadro é idêntico ou mais grave na maior parte das cidades do interior alagoano. Em algumas áreas da periferia da capital, entre elas Vergel do Lago e Jacintinho, a situação é de extrema gravidade, pois são poucas as casas e apartamentos que têm ligações de esgoto, sendo os canos ligados diretamente à via pública, multiplicando os riscos de doenças. É comum vê-se a criançada brincando entre poças de água suja. Elas são as maiores vítimas da falta de higiene, pois a maior parte de internamentos como conseqüência de diarréia e desidratações é precedente da periferia carente de infra-estrutura. Também aumenta o risco de infiltração de despejos na rede de abastecimento d?água, que por sua vez é também deficiente. As informações que confirmam a grave situação sanitária são de grande importância para definição das linhas básicas do novo Plano Diretor da Capital. Esse tipo de planejamento era feito, há algumas décadas, sem a participação da comunidade, o que excluía milhares de pessoas do encaminhamento de soluções úteis. Alguns pontos vêm ganhando destaque no que concerne ao novo Plano diretor de Maceió, entre os quais a necessidade de novas ações para desafogar o trânsito no centro. Outra realidade palpável, facilmente constatável é a de que o poder público e as construtoras de edifícios precisam dialogar mais, para evitar o acúmulo de problemas que atormentam a comunidade. Conclusões que não seriam alcançadas se não fosse o oportuno debate sobre o Plano Diretor de Maceió. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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