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Opinião

Sair do sufoco

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MARCOS DAVI MELO * Enquanto a cidade era sitiada por duas facções antagônicas do MST e a intranqüilidade se generalizava ainda mais com acusações de dirigentes contra ex-dirigentes do Incra; no Rio de Janeiro, a crise dos hospitais públicos tomava um contorno também de disputa política, enquanto na placidez refrigerada dos gabinetes de Brasília os deputados aprovavam o aumento das verbas de seus gabinetes e também dos proventos de delegados, fiscais e outros beneficiados. Do pandemônio causado pelo MST e suas facções, até quando foram escritas estas linhas, não existia perspectiva de uma solução razoável que pudesse atender às exigências dos militantes. Evidente que o problema fundiário em nosso Estado e no País não será resolvido com a entrada ou a saída de um ou outro cartola. A complicada situação com centenas de miseráveis perambulando pelas ruas, com todo tipo de carência e ainda armados, mostra que algo deveria ter sido tentado para evitar que o palco de uma tragédia se armasse para explodir em plena Maceió. No Rio de Janeiro a crônica crise dos hospitais estatais se agudiza e explode com a disputa política entre o prefeito César Maia e o governo federal. Não existe nada de novo naquele imbróglio: montanhas de caríssimos remédios vencidos e desperdiçados, equipamentos e máquinas enferrujando, funcionários ausentes, enquanto milhares de pacientes esperam em filas. Ocorre em todo o País e torna-se um pouco mais grave no Rio, pela concentração de hospitais estatais, uma pesada herança do tempo em que era a capital federal. Não se vislumbra uma solução razoável para os trabalhadores sem-terra dentro do regime democrático, daí que se poupe a cidade e os que nela vivem das conseqüências mais drásticas desta lamentável situação. Generaliza-se a opinião de que medidas restritivas poderiam ter sido tomadas antes que as coisas chegassem ao que se chegou em Maceió, com reflexos já na redução do aporte de turistas entre nós. Já a questão dos hospitais públicos estatais pode ter um melhor desdobramento, basta saber fazer contas elementares de aritmética, observar que a situação do Rio se repete em todo o País e ter um mínimo de vontade política que transcenda os interesses corporativistas dos parlamentares: entreguem alguns daqueles hospitais públicos para algumas entidades filantrópicas sérias e competentes, dêem a metade do dinheiro que dão hoje para os públicos, fiscalizem e comparem se dentro de cinco anos a população não estará sendo muito mais bem atendida por menos da metade do que se gasta hoje com os complicados e caros estatais. (*) É MÉDICO

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