Opinião
A paz
DOM EDVALDO G. AMARAL * A Comunidade Eclesial de N. Sra. dos Remédios de Fernando de Noronha celebrou na segunda-feira, dia 21 de março, um Encontro Ecumênico sobre a Solidariedade e a Paz, vivenciando a Campanha Ecumênica deste ano, que tem por lema: ?Felizes os que promovem a Paz? (Mt 5, 9). No auditório da Escola Arquipélago, reuniram-se os católicos de nossa comunidade com os irmãos da Igreja Batista, com sua pastora, D. Eridnaide da Cunha e Silva, a Igreja Presbiteriana, liderada pelo Pastor Raimundo Soares e a Congregação Cristã, com sua representante, D. Eunice Oliveira. Além da presença dos católicos, tivemos um bom número de representações dessas várias confissões cristãs. Após o momento oracional, dirigido pelo sr. Carlos Flor, do Conselho de Pastoral, com leitores das várias denominações presentes, o arcebispo responsável da pastoral da Ilha proferiu algumas palavras de abertura, explicando o objetivo e caráter daquele encontro. Fez em seguida a apresentação do convidado especial, Padre João Carlos Ribeiro, inspetor salesiano que, mediante um ?data-show?, explanou o sentido e alcance da Campanha da Fraternidade, intercalando várias canções de seu repertório, sobretudo de seu último CD ?Menestrel?, do qual cantou a canção-título e outras dos CDs de sua autoria. A seguir, cada um dos pastores usou da Palavra, sempre sobre o tema da Paz, com apresentações musicais das várias igrejas, concluindo com o canto da Oração de São Francisco, encenado pelas crianças da Escola. Foi um belo momento de fraternidade cristã da Igreja em nosso Arquipélago, que nos deixou muito felizes e satisfeitos. Jesus nos diz: ?Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração nem se intimide? (Jo 14,27). Todos querem a paz. Não obstante, é o bem mais escasso no mundo de hoje. Nem a paz das consciências, nem a paz na família, nem a paz entre os homens e entre as nações e as raças. Nem mesmo entre as religiões. Isso porque a paz não pode acontecer sozinha. Ela supõe e exige outros bens, dos quais ela é, ao mesmo tempo, origem e fruto. A paz do mundo é a paz dos acertos entre os poderosos, a paz fácil do consumismo de bens materiais, a paz ilusória da droga ou do prazer sensorial das diversões. Enquanto que a paz verdadeira, a paz de Jesus, é a paz, fruto da justiça, que supera a dominação e a opressão, seja entre os indivíduos, seja entre as coletividades. É a paz que supõe o amor, a amizade, a compreensão, a solidariedade, enfim, a verdadeira fraternidade. É fruto do perdão e da auto-superação, que não permite que o ódio e o mal tenham a última palavra. Na Bíblia, o conceito Paz (?shalom? em hebraico) é muito rico. Ter paz na Bíblia é ser completo e gozar de toda prosperidade. É manter boas relações entre pessoas, famílias e povos. Paz é o oposto de tudo quanto perturba as boas relações. É um dom de Deus, concedido a Israel em virtude da Aliança (Num 25,12). Quando Israel é fiel à Aliança goza de paz. Quando é infiel, perde a paz. Em meio a tantas guerras, os profetas anunciavam a paz dos tempos messiânicos, paz entre Deus e os homens, paz dos homens entre si e até a paz entre os homens e os animais. Cristo veio a este mundo para trazer a paz (Lc 2, 14) e reconciliar o homem com Deus. Unindo-se a Cristo, o homem participa dessa paz (1Pd 5,14). Por isso, o cristão deve não só desejar aos outros esta paz (Lc 10,5), mas promovê-la efetivamente, como diz a Campanha da Fraternidade: Felizes os que promovem a paz! (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ