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Opinião

Em torno do lixo

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A prefeitura procedeu de maneira acertada ao reunir autoridades do seu primeiro escalão, dirigentes e técnicos de outras repartições da prefeitura, representantes de outras instituições públicas, entre as quais, Ufal, para tomar as providências de há muito necessárias quanto à destinação final dos vários tipos de lixo de toda a região de Maceió. Mesmo essa sendo a primeira da atual gestão com esta finalidade, portanto com certo atraso, ela tem grande importância por vários aspectos. Sobretudo, pelo fato de tratar, entre outros problemas, do lixão de Cruz das Almas ? o maior dos desafios para os governantes da cidade nos últimos 30 anos ? e de colocar o tema como indispensável quando se discute também a elaboração do Plano Diretor Municipal. Não são poucas as vozes especializadas neste assunto que reclamam ser Alagoas um dos estados que têm a quase totalidade dos seus municípios desprotegidos de um sistema sequer razoável de coleta, tratamento e disposição final do lixo domiciliar, industrial, hospitalar, etc. Graças à falta de saneamento básico, esse quadro piora nas localidades banhadas pelo mar, rios ou lagoas. Com isto, como se não bastasse a contaminação do solo, temos a poluição crescente das águas, com drásticas conseqüências sociais e econômicas. Jamais foi preciso sair de Maceió para constatar a gravidade do problema causado pela falta de investimentos necessários para a melhoria da qualidade de vida do povo, que sempre dependeu e depende, entre outros fatores, dos benefícios de uma rede de saneamento funcionando adequadamente e da coleta e destino do lixo sem riscos à saúde. Há à disposição de qualquer pessoa interessada um estudo do próprio Instituto do Meio Ambiente do Estado (IMA) indicando que não chega a 80% do lixo gerado pelas residências em Maceió a quantidade que é coleta regularmente. Quase 20% dos resíduos sólidos de toda a cidade são lançados em terrenos baldios; 3% são jogados nos cursos d?água e o restante é queimado, enterrado ou tem outro fim. Enfim, Maceió padece ? há décadas ? de um grave problema que merece toda atenção, mesmo que tardia, do poder público.

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