Opinião
A P�scoa do Senhor
|DOM FERNANDO IÓRIO * Páscoa! Ressurreição! Vitória de Jesus de Nazaré! Ah! - pudera eu ser Aleluia, da cabeça aos pés! De certo, cantaria o Aleluia de louvor a Deus com todas as potencialidades do meu ser. Domingo da Ressurreição: tudo é luz, tudo rebrilha. É o dia que o Senhor fez: alegremo-nos nele. De certo, sabemos onde estamos, certamente sabemos em Quem cremos: Cristo ressuscitado. É o término da treva humana, é a Luz que permanece triunfante entre os seres humanos. É Páscoa. O verbete Páscoa relacionase com passagem: passagem de Deus e de seu Mensageiro entre os homens, passagem da morte para a vida. Somos, nesse instante de conúbio entre o céu e a terra, convidados a entoar Aleluia com a voz e a vida. Não tolera Deus discórdia naquele que canta Aleluia, em Sua honra. Faz-se mister estabelecer harmonia entre o Aleluia e a nossa vida, entre nossa palavra e nosso testemunho, entre nossos lábios e a nossa consciência. Jamais, nunca deve acontecer, desdigam nossas atitudes o Aleluia que entoamos na caminhada. Não há como negar, cantamos aqui, no espaço terrestre, o Aleluia na inquietação; na outra vida, nós o entoaremos na segurança. Aqui, cantaremos o Aleluia, como devendo morrer; na outra vida, como devendo, eternamente, viver. Aqui, cantamos como peregrinos, lá como cidadãos, herdeiros da bem-aventurança eterna. Cantar Aleluia não deixa de ser um carinhoso convite a caminhar em direção do amor, desfazendo o descompasso entre o meu louvor e a minha vida. Cantar Aleluia em louvor a Deus, no templo, e desdizê-lo na vida prática é farsa. Deus não tolera a farsa de quem permitiu que a água do Batismo enxugasse depressa em sua vida. Cantar Aleluia no Sábado Santo e desdizê-lo no Domingo da Ressurreição é ser desonesto, é falsificar a identidade cristã. De certa maneira, cresce nosso entusiasmo cristão, durante a vigília pascal, com a beleza insólita das cerimônias, com a alegria comunicativa dos ritos, com a atmosfera comunitária das preces, derredor do Círio pascal. Mas, no dia seguinte, a caminhada continua, levando cada uma das pessoas a esperança na fronte e o fardo nas costas. Temos assim a tentativa consciente de harmonizar o louvor pessoal com as atitudes individuais, que são exigidas pelo Batismo e compromissadas pela confirmação da maturidade cristã. (*) É bispo de Palmeira dos Índios Cantar Aleluia não deixa de ser carinhoso convite a caminhar em direção do amor, desfazendo o descompasso entre o meu louvor e a minha vida. Cantar Aleluia em louvor a Deus, no templo, e desdizê-lo na vida prática é farsa. De certa maneira, cresce nosso entusiasmo cristão, durante a vigília pascal, com a beleza insólita das cerimônias, com a alegria dos ritos, com a atmosfera comunitária das preces