Opinião
Clima amedrontador
A semana começou trazendo mais preocupações ao povo alagoano. Dois fatos atraem as atenções e têm relação com a ordem pública. O primeiro é a perspectiva de radicalização do protesto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Outro ponto de estresse é a ameaça dos policiais militares e bombeiros de cruzarem os braços. Em ambos os casos, não se divisam no horizonte soluções rápidas e satisfatórias. Estamos tratando de acontecimentos que não são novidades. Os protestos dos sem-terra passaram a ser rotineiros há bastante tempo. Suas soluções são mais complicadas e dependem mais dos esforços do governo federal em relação à reforma agrária. Mas, no presente caso alagoano, extrapolou as cercas da questão terra e o problema avançou para o latifúndio da política, onde a quebra-de-braço está apoiada num confronto partidário e não num conflito fundiário. As atribulações promovidas pelos defensores fardados da sociedade têm sido menos comuns, mas não são raros, e vez por outra voltam à tona as contradições causadas pela insatisfação salarial. Muitas pessoas talvez já não se lembrem de quando os policiais e bombeiros militares promoveram atos públicos defendendo melhores condições de manter a família, mas entendem que eles ainda pertencem a uma das categorias mais carentes da devida valorização. As insatisfações de trabalhadores rurais ou urbanos, civis ou militares devem ter suas decorrências evitadas ou suavizadas. A repetição desses momentos radicalizados amplia em muito a sensação de insegurança entre a sociedade e espalham uma impressão de impotência da autoridade pública. É urgente cortar esse mal, pois se agigantam as ondas da insegurança, da injustiça e de desigualdades sociais.