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O governo federal volta a promover um tratamento desigual em detrimento do Nordeste que já sofria com as secas há mais de dois séculos e é habitado pela maioria dos pobres brasileiros. Desta feita, enquanto tranqüiliza as populações do Sul com o próprio presidente Lula anunciando uma série de medidas, mais uma semana se passa sem alento para os nordestinos. É como se, do lado de cá, não houvesse emergência. No caso alagoano, esta semana começou sem que as prefeituras das cidades afetadas pela seca tivessem sequer um centavo liberado em Brasília. Mesmo depois de passados mais de 15 dias do exaustivamente esperado reconhecimento da situação de calamidade desses municípios pelo governo federal. Quanto à seca no Sul, por exemplo, o governo anunciou no primeiro dia desta semana, em favor dos agricultores gaúchos, a renegociação das dívidas de R$ 3,5 bilhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dos quais R$ 2 bilhões referentes ao programa Moderforta (destinado à modernização da frota de tratores) e R$ 1,5 bilhão do Finame-Especial (que financia a compra de máquinas e equipamentos). Além disto, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, garantiu, em relação ao custeio da safra de verão, que o Banco do Brasil já está negociando a dívida dos agricultores dos municípios onde a produção caiu mais de 50%. E informou outras providências. Uma delas será o investimento de cerca de R$ 1 bilhão para a aquisição de cestas básicas para pequenos produtores. Também está sendo negociada a alocação de recursos do Orçamento, dentro das Operações Oficiais de Crédito. Enquanto isso, quando se pensa em seca no Nordeste, o que se propõe é o paliativo dos caminhões-pipa, ou algum programa modesto de coleta de água de chuva... E, hoje, nem isso.

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