loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Guerras

Ouvir
Compartilhar

Eduardo Bomfim * Considerava o estudioso alemão da arte militar que a guerra é a continuação da política por outros meios. Se estendermos este conceito para além dos conflitos tipicamente armados, perceberemos sua utilidade em relação aos impasses nas sociedades. Quando, em determinadas situações históricas, as contradições chegam ao ponto-limite, as soluções pacíficas podem se esgotar e até mesmo se tornar inviáveis. Mas a paz, os acordos e as negociações não devem ser assassinados, porque o passo seguinte será terrível. Há um romance, transformado em filme, que se passa na Alemanha prestes a capitular aos aliados. Um diálogo entre dois soldados germânicos mostra como as coisas podem ser o contrário do que se imagina. Diz um deles: aproveite a guerra, porque a paz será terrível. E seria trágica mesmo para quem semeou ventos, já que a tempestade da derrota era previsível. As rupturas só devem ocorrer quando a diplomacia política se esgota de vez, seja em uma guerra civil ou numa luta de libertação nacional. O general vietnamita Von Giap, herói de três guerras vitoriosas contra França, Japão e EUA, confessou que tinha horror à guerra, e só travou os combates porque precisava defender seu país e acabar com as seculares injustiças sociais no Vietnã. Quando as situações não chegam ao extremo, as saídas pela arte-ciência da política são insubstituíveis. Nunca se deve abandonar a motivação para as soluções negociadas, a busca da mais ampla unidade em torno de um grande objetivo. Os interesses contraditórios que existem na sociedade são transplantados para o mundo político e se transformam quase sempre em uma espécie de guerra enervante, resvalando para atritos pessoais, paixões humanas nem sempre claras. Um insano pode até adorar a violência verbal, as agressões pessoais e a passionalidade que um confronto político pode gerar. Mas quem se guia pelo bom senso busca o ponto comum que supera o embaraço e o mal-estar da colisão aparentemente inevitável. Na política, como na guerra, a paz também pode ser uma tragédia que deve ser evitada até os últimos argumentos. O corajoso não é aquele que conduz os movimentos da política aos gritos, buscando impor seus argumentos como em uma ópera bufa. A bravura na atividade política reside na franqueza, na firmeza, na perseverança, no desembaraço em solucionar as contradições e fazer avançar os objetivos da coletividade. Este é o sentido maior da política. É neste traçado que se revelam as verdadeiras vocações desta difícil atividade humana. * É secretário-executivo do Ministério da Coordenação Política.

Relacionadas