loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A engenharia assassinada

Ouvir
Compartilhar

José Arnaldo Lisboa * Quando eu saía das aulas no Colégio Guido e depois na Escola de Engenharia, na Praça Sinimbu, antes de ir para a Pensão Monalisa, sempre passava bons momentos com os colegas, na frente do antigo Bilhar do Comércio. Eram papos gostosos, com os colegas. Também de fardas, desciam as garotas do Guido, do Batista e do Sacramento, para nossa felicidade, nos paquerar. Ninguém era assaltado em plena Rua do Comércio, pois, a dupla de Cosme e Damião sempre estava por perto. Meninos não cheiravam cola nem enchiam o saco dos condutores de veículos. As autoridades se preocupavam com o bem-estar do povo que ia às compras. Agora, vou muito pouco ao Comércio e quando vou, fico temendo me tirarem o celular das minhas mãos ou colocarem a mão no meu bolso para retirar os reais guardados para pagar impostos, água, luz e telefones caros. Na semana que se passou eu fui fazer umas compras no comércio. Observei muitas coisas diferentes, casas comerciais mais modernas e bem movimentadas e uma demonstração de bagunça. Os ônibus continuam sendo jogados por cima do povo, calçadas apinhadas de bancas e de gente e serviços de alto-falantes estridentes, com decibéis muito superiores aos permitidos por lei. Vi que a anarquia está instalada em Maceió, nas ruas mais centrais. Construíram as calhas para recepção de águas pluviais e quando foram colocar as tampas, estas estavam muito maiores, em largura, do que a área destinada para elas. Não houve planejamento e tudo pode ter sido proposital, para que as firmas ganhem mais dinheiro com o erro. Quem passar pelos calçadões da Rua do Comércio, vai ver que a engenharia foi assassinada, quando alguém não soube projetar uma simples tampa para os dutos de águas pluviais. Na passagem por lá, me dirigi a um pedreiro que ali trabalhava, quando ele me disse que nunca tinha visto tamanho absurdo em todas as obras nas quais ele tinha trabalhado. Disse que se tivessem confiado o projeto e a execução da obra a ele, aquilo não teria acontecido. Lamentou que muito dinheiro fosse jogado fora, enquanto muitas famílias estão passando fome, com os filhos sem estudar e cheirando cola pelas praças públicas. Encheram o Brasil de faculdades, mas esqueceram de ensinar aos engenheiros a projetar a tampa de uma calha para recepção e esgotamento de águas pluviais em Maceió. Quem vai pagar o prejuízo é você mesmo, que nos outubros da vida sai de casa com um título na mão, para deixar com que isso aconteça. (*) É engenheiro e colaborador na imprensa alagoana

Relacionadas