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A privatiza��o da �gua

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Conceição Freire * No dia 19 de março deste ano, encerrou-se em Genebra o 2º Fórum Alternativo Mundial da Água (Fame ? sigla em Francês), e o principal destaque deste Fórum foi a luta contra a privatização da água, inclusive uma das idéias principais é que os países ricos terão que criar mecanismos efetivos de pressão, sobre instituições como o Banco Mundial, o FMI e outros, contra a privatização das águas nos países pobres. Essa previsão só poderá ser exercida se houver uma aliança permanente entre as forças políticas progressistas de ambos os lados. O deputado federal da Venezuela e no Parlamento Latino, Rafael Correa, anunciou durante o evento que seu país, através do seu presidente Hugo Chávez, será contra a privatização do setor de saneamento, e que atualmente a Venezuela tem uma gestão pública plena dos serviços, e não existe a mínima possibilidade de que isso venha a ser modificado. Nesse encontro, também ficou sugerida a adoção de uma bandeira de luta em favor da cooperação política e técnica das empresas prestadoras de serviço público de água nos países ricos, com suas similares nos países menos desenvolvidos. Vários relatos foram feitos de casos envolvendo questões ligadas à luta pela água, da Índia, dos Estados Unidos e do Uruguai, todos contra qualquer tipo de privatização. No Brasil, precisamos ter muito cuidado com a privatização da água, pois as PPPs (Parcerias Público Privadas) podem abrir as portas para a privatização de setores que até hoje são geridos pela esfera pública. No Nordeste, temos as piores situações de populações atendidas com água (Norte 51,9% e Nordeste 63,9%), atendidas com esgoto (Norte 2,8% e Nordeste 17,7%). Com essa realidade, o setor privado terá interesse das localidades de baixa renda, onde está a população excluída de saneamento? Não sai mais caro para o governo e para a população o privado investir? As PPPs não trarão recursos financeiros novos, pois nos lugares onde foram implementadas, os agentes privados tendem a tomar empréstimos, através dos recursos do FGTS e BNDES. Isso mostra que próprio poder público pode fazer esses investimentos diretamente, sem precisar da iniciativa privada, e se o setor privado realmente quer ser parceiro da vida, porque a água e saneamento é vida, comece a investir, com seu próprio dinheiro, nas cidades mais pobres no nosso país. Porque todos sabem que o único interesse do setor privado é o lucro, então não serve para ser parceiro da água e do saneamento, porque o lucro de água e do saneamento é a vida. Água e saneamento é vida. (*) É diretora do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas

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