Opinião
Calar e correr o risco
Dom Fernando Iório * A arte de calar e a coragem de correr o risco nunca deviam estar longe do desempenho de nossas tarefas. Temos necessidades de calar diante do mistério que não entendemos. Esse silêncio equivale a ser sábio. Ter a parcimônia de calar sobre a própria pessoa revela humildade. Calar sobre os defeitos alheios é caridade. Calar quando se sofre é heroísmo. Calar diante do sofrimento alheio é respeitar a dor do outro. Calar diante da injustiça é covardia. Calar quando o outro está falando é delicadeza. Calar quando o outro espera uma palavra de coragem é omissão. Calar quando é melhor nunca falar é ser prudente. Devemos calar quando o silêncio fala mais do que as palavras. Calar pode parecer correr o risco de parecer covarde. Rir é correr o risco de parecer tolo. Chorar é correr o risco de parecer fraco. Estender a mão é correr o risco de se envolver. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de fracassar. Quem tem medo de correr risco não faz nada, não possui nada, por isso nada consegue, nada sente, não se aperfeiçoa, não cresce, não ama, não vive. Quem não corre risco vive acorrentado a suas atitudes, torna-se escravo, privando-se da liberdade. O líder mais livre do mundo foi Jesus Cristo, o único capaz de correr o risco de oferecer a própria vida para resgate da humanidade. Não deixa de ser paradoxal: aquele que veio para que tivéssemos vida, correr o incomensurável risco de perder a própria vida, como sacrifício redentor. Pois é próprio do ser humano a tendência para imitar o que está acima, na escala de valores, na bierarquia do grupo, no desempenho convivencial. Exemplo de educador foi dado pelo irmão Chagas, que foi diretor do Colégio Marista de Maceió no ano de 1963. Marcou sua passagem com esse desempenho admirável de autêntico educador. jamais conivente com o erro, porém nunca foi um censor. Amigo do aluno, ajudando-o a se encontrar. Seguia os sábios ensinamentos de Freud. Tolerância e disciplina com afeto. Assim tem que ser o educador, como propiciador de oportunidades, favorecedores do desenvolvimento do educando, tal como o irmão Chagas. Um grande exemplo! (*) É bispo de Palmeira dos Índios