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O papa peregrino

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Humberto Martins * O papa João Paulo II, após 27 anos de pontificado, passa à História como inovador, pois sua elevação ao Trono de São Pedro quebrou a demorada sucessão de papas italianos, que foram escolhidos ao longo de quatro séculos consecutivos. Inovador igualmente como peregrino, pois percorreu mais de 100 mil quilômetros - mais de três vezes a volta à Terra - visitando os mais distantes rincões, estendendo a mão aos cristãos de outras correntes - não católicos - e até aos não crentes. Sua escolha, em plena guerra fria, teve também históricas implicações na política internacional, pois desencadeou, a partir da Polônia, uma reação em cadeia contra o domínio da União Soviética, que resultou no desmoronamento da outrora poderosa URSS. Moderno no que diz respeito aos métodos de trabalho, João Paulo II adotou uma política conservadora com relação à orientação da Igreja Católica, esvaziando os focos da chamada Igreja Progressista nos quatro cantos do mundo. No Brasil, para citar um exemplo mais próximo, os bispos considerados demasiadamente avançados em suas posições foram colocados em segundo plano ou tiveram reduzidas as dimensões de suas dioceses. E as indicações que ocorreram no período de João Paulo II para a alta hierarquia da Igreja deram prevalência a moderados e conservadores. João Paulo II nasceu em 18 de maio de 1920, em Wadowice, sul da Polônia, filho de Karol Wojityla e de Emília Kaczorwsky, ele militar do exército austro-húngaro, ela de nascimento siciliana mas com origem lituana. Tinha um irmão, de nome Edmund. Começou a conviver muito cedo com o sofrimento, pois aos nove anos recebeu duro golpe, com a morte da mãe, ao dar a luz a uma menina que nasceu morta. Anos após faleceram o irmão e o pai. A adversidade, ao invés de o abater, fortalecera-lhe o caráter, levando-o a se concentrar no estudo do teatro, da arte, da literatura, da filosofia e da lingüística polonesas. Um encontro com o cardeal Sapieha, no transcurso de uma visita pastoral, despertou-lhe inclinação pelo sacerdócio. O ingresso na Universidade Jaguelloniana, em 1942, a ordenação como sacerdote, aos 26 anos, no seminário Maior da Universidade de Cracóvia, e a designação para cardeal da mesma cidade, em 1967, aos 41 anos, por Paulo VI, foram alguns dos passos que conduziram à chefia suprema da Igreja Católica. João Paulo II tornou-se o papa peregrino, aproximando a Igreja Católica do povo. Não foi somente um líder religioso, mas uma liderança mundial. (*) É desembargador do TJ/AL

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