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A carona do presidente

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JOSÉ ARNALDO LISBOA * Nos momentos de angústia para a humanidade, quando perdemos um grande vulto da História Universal, o papa João Paulo II, o nosso presidente Lula convoca a imprensa para dar ?uma grande notícia?. Ainda estavam em Roma mais de 200 autoridades, dentre elas, reis, rainhas, príncipes, ditadores, presidentes de repúblicas, embaixadores e chefes de igrejas, quando nosso presidente disse ter uma coisa muito importante para dizer ao povo brasileiro. Para a embaixada do Brasil em Roma, acorreram dezenas de jornalistas para saberem de que se tratava, pois, afinal de contas, era um presidente que queria dizer uma coisa importante. Os meios de comunicação mandaram limpar suas câmeras de televisão e fotográficas, os jornalistas e repórteres vestiram seus melhores ternos, pentearam seus cabelos, botaram perfumes e foram ouvir a notícia do presidente Lula. Milhões de pessoas ainda estavam chorando com a morte do papa. As cidades da Polônia estavam vazias e nas ruas de Cracóvia ainda choravam os conterrâneos de João Paulo II. A humanidade acabava um mensageiro da paz, um poliglota, um santo, um evangelizador incansável e um homem de vergonha, mas os jornalistas do Brasil queriam saber a notícia importante que o presidente Lula queria dar. Acabavam de levar para a cripta do Vaticano o corpo do papa e a embaixada do Brasil em Roma já se preparava para receber a imprensa convidada. Não demorou muito e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou. Estava eufórico para dar a notícia e mais ainda os jornalistas para saberem de que se tratava. O silêncio tomou conta do salão da embaixada. O presidente Lula bebeu um pouco de água, para diminuir a sua emoção. Usou o microfone e disse bem alto com sua voz rouca, o seguinte: ?Pela primeira vez na história do Brasil, ficam juntos quatro presidentes da República, eu, Itamar, Sarney e Fernando Henrique?. Jamais imaginariam os jornalistas que a notícia importante fosse aquela de ter dado carona no seu luxuoso avião ao Sarney e Fernando Henrique, além de Severino e Renan. Não falou nada sobre o papa! Pobre imprensa brasileira que é enganada e atraída pelo presidente para ouvir uma tolice daquelas. Fernando Henrique não deveria ter aceitado o convite, pois, dias atrás, estava sendo acusado por Lula, de corrupção no seu governo. Pobre Brasil, cujo presidente acha grande coisa dar carona a Itamar, FHC e José Sarney, para o enterro de um papa. Diante de reis, rainhas, príncipes e presidentes, se sentiram tão pequenos como se sentiram em aceitar a carona no Aerolula. (*) É engenheiro e colaborador na imprensa alagoana

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