Opinião
Jo�o Paulo II em n�meros
Dom Edvaldo G. Amaral * O nosso querido papa João Paulo II, hoje na Casa do Pai, foi o 264º pontífice da Igreja Católica, exercendo o supremo pontificado de 16 de outubro de 1978 a 2 de abril de 2005, portanto por 26 anos, 5 meses e 16 dias. O pontificado de João Paulo II foi o 3º (ou o 2º?) mais longo da História. João Paulo fez 104 viagens apostólicas fora da Itália, visitando 129 países, num total de 1,2 milhão de quilômetros, o equivalente a quase 30 voltas em torno da Terra, permanecendo mais de 550 dias fora do Vaticano. A esse respeito, ouvi críticas de bispos, amigos seus, achando que o papa devia permanecer mais tempo em Roma, sua sede, para daí governar melhor a Igreja. No Brasil, esteve três vezes. Em 1980, de 30 de junho a 11 de julho, visitando 13 cidades, pronunciando 51 discursos e enviando duas mensagens gravadas. Em 1991, de 12 a 21 de outubro, visitou 10 cidades, com 31 alocuções, inclusive em Maceió sobre Moradia e Trabalho. Falou no Riocentro, encerramento do Congresso, no Maracanã, com o célebre canto de Fafá de Belém e no aterro do Flamengo, com canto de Roberto Carlos, após a missa de despedida. Não estou contando a parada técnica na viagem para a Argentina, onde ficou poucas horas no aeroporto, sendo saudado pelo cardeal Dom Eugênio Sales. Escreveu 11 Constituições Apostólicas, que legislam no Direito Canônico, dando normas de caráter canônico universal. Notável é a que dá normas precisas e detalhadas sobre as exéquias do papa e eleição de seu sucessor, ?Universi Dominici Gregis? (Do Rebanho Universal do Senhor), de 22 de fevereiro de 1979. Nela está sempre prevista ?a provisão da Sé Romana, vacante por qualquer motivo?, isto é, morte ou renúncia do Pontífice. Escreveu 14 encíclicas e 45 Cartas Apostólicas. Seus funerais também exibiram números impressionantes. 300 mil pessoas comprimiram-se na Praça de São Pedro, enquanto outras 700 mil se espalhavam por várias ruas de Roma, assistindo à cerimônia por enormes telões. Concluo com uma expressão incisiva da revista Veja em sua edição nº 14/ 2005: ?João Paulo II transubstanciou seu calvário particular numa mensagem universal: não existe redenção sem sofrimento. É a mensagem ao mesmo tempo bela e terrível sobre a qual, afinal de contas, se alicerça o cristianismo?. Pode não se concordar com tudo o que o papa polonês pregou e defendeu. Mas é impossível não admirá-lo pela sua coragem na saúde e na doença. Na vida e na morte. Bela conclusão cristã de uma vida! - dizemos nós. (*) É arcebispo emérito de Maceió