loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A festa

Ouvir
Compartilhar

Luiz Barroso Filho * Conforme o noticiário, este ano, uma parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura de Maceió promete intensificar os festejos juninos em nossa capital, com a realização de ?shows? de artistas famosos, visando atrair turistas, a exemplo de outras cidades nordestinas. Diante da descaracterização que as tradicionais festas populares vêm sofrendo, a iniciativa corre o risco de resultar em uma cópia do espetaculoso São João de Caruaru ou de Campina Grande, cuja programação não apresenta nenhuma contribuição cultural significativa. No Nordeste, as festas do ciclo junino (Santo Antonio, São João e São Pedro) - além do aspecto religioso ? caracterizam-se por folguedos, música, crendices, culinária e outras expressões que precisam ser preservadas. Infelizmente, ao longo do tempo, esses elementos típicos da região vêm recebendo influências nocivas. De modo que hoje as apreciadas Quadrilhas Matutas, por exemplo, apresentam-se desfiguradas. Isso em decorrência da sofisticação dos trajes usados pelas damas e cavalheiros; da mudança da marcação e da introdução de ritmos alienígenas (salsa, reggae, merengue e lambada). Como se não bastasse a estilização das quadrilhas, os falsos cantores sertanejos e as bandas eletrônicas têm sido as principais atrações das festas de São João, em detrimento dos autênticos representantes da música regional. Tais deturpações ainda podem ser corrigidas, sem que a festa perca a sua beleza e exuberância. Nesse sentido, a capital de Alagoas poderá dar um bom exemplo, resgatando as manifestações populares específicas do período, em vez de procurar promover os cantores e bandas de sucesso momentâneo, desvinculados das nossas raízes culturais. Sabendo-se que o prefeito Cícero Almeida é um entusiasta do forró tradicional, o conhecido pé-de-serra, certamente prestigiará os cantores, trios de forró, violeiros repentistas, bandas de pífanos e nossos folguedos mais representativos. Verdadeiros responsáveis pela sobrevivência dos festejos juninos. Nesse contexto, um folguedo típico do nosso Estado que precisa ser incentivado é a dança do coco. Sua presença nas festas do ciclo junino será um excelente atrativo para qualquer turista. Em tempo: Por que a Praça Afrânio Jorge (antiga Praça da Faculdade) não é aproveitada como espaço oficial permanente para a realização de festas populares como o Natal e o São João em Maceió? (*) É advogado e membro da Comissão Alagoana de Folclore

Relacionadas