Opinião
Pr�ncipe de M�naco
Lysette Lyra * O mundo foi surpreendido por duas mortes de figuras ilustres: a de João Paulo II, que tanto comoveu a humanidade, e a do príncipe Rainier III, monarca do pequeno, mas lindo e famoso país do sul da Europa. Célebre, também, por ter se desenrolado, nesse lugar, uma romântica história, envolvendo o citado aristocrata com uma das atrizes cinematográficas mais queridas e belas de Hollywood, Grace Kelly. Rainier III pertence à família Grimaldi, oriunda da alta nobreza de Gênova, cidade que compõe a República Romana. Em 980 ficou como senhoria das terras que, mais tarde, se tornaram o principado de Mônaco. Apesar de se ter extinguido em 1713 o nome dos Grimaldi, com a morte do príncipe Antonio, uma de suas descendentes femininas, a duquesa Luiza Hipólita, fez questão de agregar esse apelido à sua linhagem, continuando o mesmo por todas as gerações seguintes, até hoje. A família Grimaldi teve sempre um papel atuante na história de Gênova e da França. Muitos ocuparam lugares importantes nas guerras antigas que abalaram o sul do continente, tendo até um cardeal no séqüito de Avignon. Daí o prestígio de Rainier III, que, também, fez progredir a pequena nação, desenvolvendo nela um grande turismo, com a construção de luxuosos hotéis e de cassinos de jogos de azar. Em 1956, ao rufar das trompas, foi festejado o pomposo cerimonial das bodas do príncipe Rainier III e de Grace Kelly, na Capela Palatina, diante das cabeças coroadas européias, de dignitários mundiais e de famosos artistas, amigos da futura princesa. Foi uma sagração de contos de fada. Tiveram três filhos: Caroline, Albert e Stéphanie. A princesa conquistou os monegascos com sua conduta ilibada, de sua simplicidade, de sua generosidade e simpatia. Em 18 de setembro de 1982, as trompas reais foram substituídas pelo badalar dos sinos da catedral e de todas as igrejas de Monte Carlo, com seus tristes dobres finados, Grace Kelly havia morrido num acidente de carro. Seus familiares e todos que apreciavam a encantadora princesa, cobriram-se de luto e de lágrimas. O mundo inteiro acompanhou, sensibilizado, pela imprensa, a cerimônia fúnebre que levou a nobre morta à sua última morada. Agora, novamente, os crepes negros festonaram a entrada do Palácio de Mônaco, para deixar passar o féretro do príncipe, envolto no pavilhão nacional, a caminho da mesma Catedral Palatina, esse esposo devotado que nunca esqueceu a bela americana da Filadélfia, que o acompanhou, com tanta devoção, durante 26 anos. (*) É membro da Academia Maceioense de Letras