Opinião
O fant�stico show da vida
| Dom Fernando Iório * Jesus Cristo ressuscitou. Aí o fantástico show da vida. Se vocês destruírem o templo do meu corpo, em três dias, eu o ressuscitarei para a vida, asseverou o mestre. Não foi coisa diferente, senão o amor superior de Maria de Mágdala que, vencendo o orvalho da madrugada fria, se deparou com a certeza do Cristo triunfante, ressuscitado. O lento andar meditativo para o túmulo transformou-se no apressado correr do testemunho, como primeira mensageira da fé. Os destinatários da primeira Mensagem do Cristo ressuscitado - Pedro e o discípulo amado - correm até o túmulo. A quem eles procuravam, não mais se encontrava nas amarras da morte: havia ressuscitado. Realizara Jesus inumeráveis ações fantásticas: serenara as tempestades, curara leprosos, cegos e surdos, reavivara mortos, como Lázaro, o jovem de Naim, andara por sobre as águas, multiplicara pães e peixes... O povo falava alto: ninguém fez maravilhas tantas como esse homem de Nazaré! Mas a ressurreição torna-se o incomensurável e inefável milagre do início de vida nova, a partir, precisamente da morte. Essa nova existência não se assemelha, de modo algum, ao retorno à vida física anterior, como sucedeu na revivescência de Lázaro que, posteriormente, deu um adeus à vida terrena. Jesus ressuscitou para não morrer jamais. Sua vida de Ressuscitado não continua a vida anterior, porque manifesta outra existência, de todo, nova e transformada, como demonstram suas aparições pascais. Não há como negar, para os Apóstolos o Ressuscitado era mesmo Jesus de Nazaré, a mesma pessoa que haviam conhecido antes, em perfeita continuidade pessoal. Seu corpo, entretanto, sendo embora o mesmo, estava transformado. Era aquela nova realidade que se lhes escapava, transcendendo as categorias humanas, físicas e biológicas. Era uma existência ao nível de Deus. Assim será nossa vida pascal: vida nova de conversão total, no falar, no agir e na fraternidade da mesa posta. Somente pode ser testemunha deste fantástico ?show? da vida quem revelá-lo no semblante feliz. Nietzsche asseverava: ?Era necessário que os discípulos revelassem, no rosto, o semblante de quem possui a salvação?. Bernanos lamentava: ?Onde está escondida a vossa alegria, ó cristãos? Vendo-vos viver, como viveis, pessoa alguma acreditará que recebestes a alegria do Cristo ressuscitado. Claudel em ?Le soulier de Satin? faz falar uma de suas personagens: ?Quem vê a minha alegria tem vontade de cantar. É como se eu, sorrindo, lhe marcasse o compasso da Ressurreição?. (*) É bispo de Palmei