Opinião
Posi��o de independ�ncia
| Humberto Martins * Enquanto a administração George W. Bush direciona todas as energias da única superpotência para o Oriente Médio, a América do Sul, que era denominada em passado recente como ?quintal? dos Estados Unidos, sai gradualmente do controle de Washington. Começou com a primeira eleição do coronel Hugo Chavez para a presidência da Venezuela, as tentativas de deposição apoiadas pelos Estados Unidos e demais episódios correlatos. Seguiu-se a ascensão de Lula à Presidência da República e sua política exterior independente e, algumas vezes, discordante da América do Norte. É importante ressaltar que durante a longa crise que atingiu a Venezuela, incluindo uma greve geral que parou o País, dificilmente o governo Chavez teria sobrevivido se não fosse o apoio brasileiro, com fornecimento de petróleo enquanto todas as refinarias venezuelanas estavam paralisadas. A escolha de Nestor Kirchner, na Argentina, elevou ao poder na segunda nação mais importante da América do Sul um governo de posições independentes dos norte-americanos, seguindo-se a deposição, na Bolívia, de um governo atrelado a Washington - com a discreta aprovação de Brasília e Buenos Aires - a ascensão no mesmo país de Carlos Mesa, mais ligado a Brasil e Argentina, a eleição de um chefe de governo igualmente independente no Equador. Horas após assumir o poder em Montevideo, Vasquez anunciou o reatamento das relações diplomáticas com Cuba, frustrando os propósitos do governo Bush de isolar mais e mais o governo de Fidel Castro. Enquanto na Venezuela o presidente Chavez adotava, por palavras e atos, atitudes hostis aos Estados Unidos: ameaçou suspender a exportação de petróleo para a América do Norte - a Venezuela é o quarto exportador de petróleo do mundo e seus fornecimentos são indispensáveis ao abastecimento dos Estados Unidos - e fechou o espaço aéreo e marítimo em fase de manobras navais norte-americanas no Mar do Caribe. Estão, portanto, fora da influência ianque, na América do Sul, Brasil, Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia e Uruguai. Alinhados com Washington, Colômbia, Chile e Peru, e indefinidos, as três Guianas, Paraguai e Uruguai. Para a única superpotência do mundo, na sua zona próxima de influência, é muito pouco. Em verdade, grande parte dos governos da América do Sul apresenta posições de independência frente à política adotada pela administração George Bush. A América do Sul dá o seu grito de liberdade e de independência política, ainda é pouco, mas concretiza um grande avanço. (*) É desembargador do TJ/AL