Opinião
As lutas ind�genas
O Dia do Índio, comemorado hoje, 19 de abril, é parte integrante do calendário nacional desde 1944, quando o então presidente Getúlio Vargas atendeu a uma recomendação do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano ? evento realizado em 1940, no México. Neste ano, mais uma vez, a data é lembrada não apenas com atividades educacionais e divulgação da cultura indígena, como acontecia nos primeiros anos, mas com manifestações, as mais justas, em defesa dos direitos dos descendentes dos nossos primeiros povos. Novamente, os principais protestos surgem das aldeias. Só mais de 500 índios de 114 etnias decidiram marcar este dia pressionando o governo federal e o Congresso por melhores políticas em diversas áreas. Especialmente na da saúde pública, onde a situação parece ser das mais gritantes em várias regiões, como se pode constatar com as mais de vinte mortes de crianças indígenas devido a doenças decorrentes de desnutrição, nos últimos meses, em Mato Grosso do Sul, 19 das quais este ano. Os índios continuam convivendo com índices alarmantes de mortalidade não apenas infantil, mas de adultos. A sua situação deve ser das mais preocupantes, se a maioria da população brasileira, que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) e vive nas cidades, ainda enfrenta as enormes conseqüências das deficiências na assistência médica. A questão da saúde é uma das mais graves e antigas, pois essa gente, apesar das conquistas verificadas, notadamente a partir da aprovação da Constituição vigente, sofre até hoje os danos causados pelas diversas modalidades de violência em meio às lutas seculares em defesa de suas terras. Nesse dia do índio, além de festas e torés, os poderes do Estado deveriam se unir em busca de políticas públicas reais, ousadas, para enfrentar esse problema de 500 anos.