Opinião
Caminhantes (para Beroaldo Maia Gomes)
| Gilberto de Macedo * Caminhantes do destino! Assim, fazemos a vida. Em última instância, somos apenas caminhantes. Desde que aprendemos a andar, na primeira infância, estamos a dar passos no espaço do ambiente doméstico. Passos numa determinada direção, como se para alcançar determinada meta. Mais importante até que o caminhar humano, é o caminhar dos desejos, dos sonhos, dos ideais, dos projetos que, vivenciados mentalmente, procura-se concretizá-los no mundo, sobretudo na vida social. Assim, nós construímos o nosso caminho, como já dizia o poeta Pablo Neruda: ?Viajante, não há caminho, faz-se ao andar?. É esse caminhar simbólico, imaginado por cada um, que faz o destino pessoal. Isso, claro, de maneira relativa, tendo em vista as circunstâncias das experiências permitidas pela realidade, sobretudo social. Desse modo é que, permanentemente, estamos a caminhar, nesse mundo simbólico interno que, externando-se conduz à movimentação física pelas vias materiais, da realidade das estradas e ruas da cidade e regiões. Caminhante da inteligência, com a alfabetização logo no início da escolaridade primária, e na continuidade da aprendizagem fundamental,e na terceira etapa do curso superior: graduação, mestrado, doutorado. Interminável é o caminho da aprendizagem, já que a estrada do conhecimento não tem fim. Caminhante na estrada dos sentimentos, com a doação recepção do amor, que mais que nenhum, enriquece a condição humana, como já dizia o notável Rainer Maria Rilke: ?Amar é uma ocasião sublime para uma pessoa amadurecer?. Purificar-se. Elevar-se. Caminhar no percurso da imaginação inspirada, levando a inteligência na criatividade estética da pintura, da música, da poesia, do canto e demais formas. Caminhante no exercício das atividades profissionais, com a ética do desempenho e se apoiando na formação curricular, na habilidade e na dedicação. É, sobretudo, caminhar no nível espiritual, quando, sublimados, busca-se a salvação, esse desejo máximo de toda pessoa levada pela fé. Pois, como diz Bernard Berenson, ?milagres acontecem a quem acredita neles?. É um itinerário individualizado numa estrada particular do anseio de cada um. Por isso Cervantes já dizia: ?Deixe o seu filho caminhar por onde sua estrela o chama?. Afinal, caminhantes sem fim, na estrada da vida. Caminhantes construindo o destino. Por isso é que somos criativos, sociais e históricos. Criamos a beleza, os fatos e os acontecimentos. (*) É escritor e colabora em publicações como articulista