Opinião
Seca e discrimina��o
Não foi sem razão que a bancada do Nordeste na Câmara, acusou, há poucos dias, o governo de privilegiar os produtores dos estados do Sul atingidos pela seca mais recente em detrimento dos agricultores e outras vítimas do mesmo fenômeno no Nordeste. E nem exagerou o coordenador dessa representação de 151 parlamentares, deputado B. Sá (PPS-PI), ao lembrar que a presteza desse mesmo governo para atender aos sulistas não é a mesma quando o problema atinge os nordestinos. ?O Sul vive dois meses de falta de água e o governo já correu e mandou negociar as dívidas dos produtores e injetar recursos. O Nordeste, onde a cada dez anos, oito são de chuva ou de seca intensa, não é atendido com a mesma agilidade?. Sabia-se, pelas informações do próprio Ministério da Integração Nacional, da existência de 272 municípios em situação de emergência por causa da seca, sendo, do total, 106 na Região Nordeste e 166 no Sul. E esta última, pelo menos até ontem, era a única contemplada e de maneira satisfatória, por várias ações governamentais por causa dos estragos causados pela estiagem de maiores conseqüências sobre a região em cerca de seis décadas. São antigas as mais incríveis formas de tratamento desigual adotadas pela União, que privilegiam as unidades federadas mais ricas e com maiores alternativas para se desenvolverem ainda mais nas diversas áreas, sobretudo na industrial, agropecuária e de serviços. Os privilégios são muitos, e notados já na distribuição dos recursos orçamentários para as atividades relacionadas ao setor social. Não dá para acreditar nas justificativas apresentadas pelas autoridades do Poder Central quando cobradas pelos governantes e outras lideranças do NE, a fim de que liberem os recursos a esta região e de há muito necessários à eliminação das causas e efeitos da miséria em que vive a maioria do seu povo.