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Opinião

Nepotismo e descontrole

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| MARCOS DAVI MELO * O dia 25 de agosto de 1961 marcou o cenário político nacional para sempre. Naquele dia, o presidente Jânio Quadros renunciou à presidência da República. Na Câmara, corria a rotina diária quando a carta de renúncia chegou ao plenário e logo a balbúrdia se instalou. No Diário do Congresso, que circulou com a data daquela sexta-feira, a taquigrafia fez registrar, sem grifo: grande tumulto no plenário, que naquele momento tinha na tribuna o deputado pessedista pernambucano Gileno de Carli que discursava sobre a cultura do amendoim. O presidente Ranieri Mazzilli lhe pediu que encerrasse, porque havia uma comunicação da maior importância a ser feita. De Carli, alheio, respondeu que naquele momento nada seria mais importante para o País do que a cultura do amendoim. Os fatos teimam em atropelar os nossos homens públicos. Eis que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que combate o nepotismo, surge no plenário da Câmara justamente quando está instalado na presidência o deputado federal Severino Cavalcanti, que defende o emprego dos parentes no serviço público sem nenhum pudor. Reconheçamos que o deputado Severino Cavalcanti não é o único a defender o apadrinhamento de parentes e apaniguados sob as tetas exaustas da Viúva, apenas ele é ?autêntico?, assume o seu nepotismo publicamente. Senão, observemos o Partido dos Trabalhadores nacionalmente, que, quando oposição, tanto combatia esta prática maléfica e hoje, detentor do poder, não titubeia em exercê-la com sofreguidão. Podemos observar um exemplo pertinho de nós, de uma estatal que tem se consagrado ultimamente pelos precaríssimos serviços prestados à comunidade, com prejuízos irreparáveis a diversos setores do Estado. As repetidas interrupções do fornecimento de seu único e vital produto não tem sido suficiente para restringir os gastos com a diretoria, ocupada por inúmeros nomeados alheios ao setor, mas que percebem salários, que dificilmente receberiam no setor privado, onde o nepotismo, esta praga nacional, é infinitamente menor. Enquanto isto, o ?Abril vermelho? do MST tumultua os quatro cantos do Estado, aborda com agressividade um automóvel de luxo, da prefeitura do rico município de Dois Riachos, e promete mais. Fica cada vez mais evidente que existem dois países paralelos: um onde o setor privado racionaliza, tenta se organizar e viver dentro de seus limites e um setor público cada vez mais descontrolado e perdulário, para o qual o grito da sociedade precisa se fazer sentir a cada momento. (*) É médico

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