Opinião
HABEMUS PAPAM
Tal expressão em latim foi descrita pela primeira vez em 1488 e sua autoria é atribuída ao condutor de cerimônias papais Patricius, significando ?temos um [novo] papa?. Desde Pedro, apóstolo e discípulo de Jesus Cristo, centenas de papas se sucederam no mundo, mediante escolhas nem sempre de acordo com o sistema vigente, quando, mediante renúncia ou morte do bispo de Roma, os cardeais se reúnem a portas fechadas (daí o nome ?conclave?, que significa ?com chave?) e escolhem o novo papa, o qual adota um nome diferente e assim passa a ser conhecido na face da Terra. Meu conhecimento sobre os papas remonta ao ano de 1978, quando soube da morte do papa Paulo VI. Este foi sucedido por João Paulo I, que passou apenas 33 dias no cargo, pois faleceu. Ele ficou conhecido pela sua humildade e simplicidade, pois logo dispensou certas regalias, como andar numa cadeira carregada por fiéis. Surgiu, então, após nova eleição, a figura carismática do polonês Karol Wojtyla, o qual adotou o nome de João Paulo II. No dia 13 de maio de 1981, sofreu um atentado a bala, em plena Praça de São Pedro. Um terrorista turco, misturado à multidão de fiéis, atirou covardemente e atingiu o papa com vários tiros. João Paulo II conseguiu escapar da morte e, algum tempo depois, visitou seu carrasco na prisão e, num gesto de extrema humildade, conversou e perdoou o algoz. Seu gesto identificou-o como verdadeiro seguidor dos ensinamentos de Cristo. Ele foi um dos papas que mais viajaram e quando chegava a um país, ao descer do avião, ajoelhava-se e beijava o chão, num gesto de humildade e respeito pelo solo que o acolhia. E quando o peregrino da paz visitou o Brasil pela segunda vez, em 1991, eu e minha mãe, a d. Benedita, tivemos a oportunidade de vê-lo e ouvi-lo ao vivo, aqui em Maceió: João Paulo II chegou em seu papamóvel e fez o pronunciamento em português, no papódromo, no Vergel do Lago. Em 2005, após anos de sofrimento, João Paulo II partiu para a eternidade, sendo sucedido pelo alemão Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI. Um fato histórico, porém, surpreendeu o mundo na manhã do dia 11 de fevereiro de 2013: a renúncia de Bento XVI, mediante o argumento por ele apresentado de que sua idade avançada (85 anos) não mais lhe permitia exercer seu cargo a contento: foi um gesto de humildade, resignação e sabedoria, apesar das inevitáveis teorias de conspiração. E assim, após o novo conclave, a fumaça branca cientificará ao mundo da existência de um novo papa, seguida do anúncio: habemus papam.