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O menino e a pipa

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| Luiz Barroso Filho * Pipa, arraia, papagaio, cafifa, coruja e pandorga são alguns nomes dados ao brinquedo que, no Brasil, ainda é muito usado, especialmente por meninos de classe social menos favorecida. De acordo com os pesquisadores, a arraia é originária do Oriente e existe há mais de 2500 anos, registrando-se que dois séculos antes de Cristo, na China, ela já servia para enviar mensagens a soldados em guerra. Consta também que em 1752, Benjamim Franklin, o inventor do pára-raios, a utilizou em suas experiências científicas. Transformada em jogo infantil, a pipa é assim classificada quando praticada coletivamente para a realização de torneios, nos quais cada participante tenta empiná-la para que ela alcance uma altura maior do que a dos seus competidores. Outra modalidade de combate consiste em tentar derrubar o brinquedo do oponente. Com esse objetivo, a brincadeira apresenta riscos de acidentes, porque geralmente alguns garotos passam cerol (mistura de cola com pó de vidro) na linha para cortar a do adversário, o que deve ser evitado. A arraia é uma peça artesanal exclusivamente masculina e, em geral, confeccionada pelos próprios usuários. Há poucos dias, lá em casa, recebi a ?visita? de um menino preocupado, aparentando ter 10 anos de idade, que me surpreendeu com um pedido: - O senhor deixa eu pegar a minha arraia que caiu aqui? Depois de verificar que o brinquedo estava preso ao telhado da garagem, providenciei uma escada para que ele pudesse resgatá-lo. Durante a ?operação salva pipa?, segurando a escada, lembrei-me do tempo em que tinha o hábito de empinar papagaio no Mirante de Santa Teresinha e na Praia do Sobral, e resolvi aconselhá-lo a não soltar arraia perto da rede de energia elétrica e nem usar cerol. Finalmente, a arraia foi retirada intacta. Então, pude perceber toda a felicidade do mundo estampada no rosto do obstinado menino, como se aquele brinquedo fosse a coisa mais valiosa da sua vida. Certamente que uma simples pipa não representa um bem material de grande valor, no entanto, a atividade lúdica é uma experiência enriquecedora e marcante na vida de qualquer criança, sobretudo, porque contribui para o desenvolvimento de sua personalidade. Por isso, a prática de jogos infantis, como a ximbra (bola de gude), o pião, a arraia, entre outros mais, deve ser estimulada, pois apresenta melhores resultados do que os jogos eletrônicos - tão difundido hoje - no tocante à criatividade e à convivência social das crianças. (*) É advogado e membro da Comissão Alagoana de Folclore

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