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Jo�o Paulo II

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| Dom Fernando Iório * Desabou, enfim, a majestosa árvore, na floresta densa. Seu ruído tonitroou em sucessivos ecos pelo espaço florestal quase infindo. Desabou para viver em outra forma, como a madeira que, retirada das matas, vai servir ao ser humano, em caminhada. Cada dia mais, convenço-me, profundamente, de que nada se torna, sobremaneira, tão importante, como uma presença viva que nos anima e incentiva para o bem, presença de um ausente físico a crescer à medida que o tempo faz ressaltar o valor de sua passagem entre nós. Numa perspectiva de fé, enriquece-se essa visão na certeza de que em Deus, eternamente, presente em sua vida, tudo adquire um sentido novo dimensional que o tempo implacável não destrói. João Paulo II partiu. Deu-nos um até logo o papa que sabia comunicar-se com o povo. Como definir esse gigante do solo pontifício? Como homem de oração? De convicção profunda? Não poucos o definiram como o papa sem medo. Não deixa de ser exata a incisiva radiografia histórica apresentada por Albert Camus: o século XVII foi o século da Matemática; o século XVIII - o das Ciências Físicas; o século XIX - o da Biologia; atualmente, conclui Camus, estamos vivendo o século do medo. Em dois mil anos de história da Igreja, foi João Paulo II o primeiro papa eslavo a sair do leste europeu. Foi, também, o primeiro papa não italiano em mais de 400 anos. Tão-somente um homem sem medo aceitaria tamanha missão. Não há negar ter feito ele história. A decidido jornalista, que afirmara ter ele derrotado o Comunismo, respondera: ?É exagero: eu só dei uma boa balançada na árvore do comunismo?. Expressara-se assim, sem medo. Na famosa Missa de Varsóvia, em nenhum momento se mostrou apreensivo: pregou em praça pública o que devia asseverar. A partir daquele instante algo acontecera: as pessoas tinham perdido o medo. Tanto é assim que, um ano após, os operários poloneses, vencendo o medo, fundaram o Solidariedade, conquistando a Presidência da Polônia. Naquele tempo, 1978, João Paulo II devolvia à Igreja uma confiança que parecia ter ela perdido. Vários articulistas de revistas e jornais famosos pretenderam ser originais, criando ambigüidades nas tomadas de posição de João Paulo II; caíram, entretanto, em tamanhas contradições, que tornaram suas estruturas frásicas simplórias, no dizer do jornalista francês Bernard Lecomte. Jubiloso por demais me vejo em ter dialogado com esse homem, candidato ao martírio, recebendo-lhe a bênção de Supremo Pastor da Igreja Católica. Sua voz soa-me, ainda, aos ouvidos: ?Como vai, senhor bispo, a Diocese de Palmeira dos Índios??

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