Opinião
Fome refor�ada
Só pode ser tratado como verdadeiro e vergonhoso absurdo o fato que acaba de provocar a drástica, mas inevitável suspensão dos recursos para a manutenção da merenda nos educandários de mais de 900 municípios em todo o País que não prestaram contas em 2004 ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). E, ao mesmo tempo, torna ainda mais grave toda uma situação de há muito preocupante no mundo inteiro. Especialmente em países como o nosso. Seriam inacreditáveis, caso não fossem fornecidos pelo próprio Programa de Alimentação Escolar (PNAE), do Ministério da Educação, os dados agora divulgados com Roraima apresentando 80% de seus municípios atingidos - apenas três de um total de 15 não estão inadimplentes - e até Minas Gerais aparecendo como o Estado que teve mais corte de verbas ?141 dos 853 municípios. Segundo a Agência Brasil, o orçamento do PNAE para este ano é de R$ 1,140 bilhão, que deverá financiar a merenda escolar de 36 milhões de crianças. Os prefeitos dos municípios da extensa lista de irregulares devem se apressar para evitar pior, lutando por essas e outras formas de ajuda. Sobretudo, das cidades pertencentes aos estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste -incluindo 17 alagoanas - que estão situados nas 16 primeiras posições com os maiores índices de inadimplência, e que tanto necessitam de recursos para combater as causas da fome e da desnutrição e, conseqüentemente, os ainda elevados índices de mortalidade infantil e de outras mazelas sociais. Oportunidades assim não podem ser desperdiçadas. E menos ainda, quando os números baseados em estudos de órgãos como a Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que os projetos oficiais nesse sentido têm sido insuficientes, apesar de a produção mundial de alimentos ter triplicado nos últimos cinco anos.