Opinião
Gravidez na adolesc�ncia
Jovânia de Oliveira * Ao refletirmos sobre a gravidez na adolescência, faz-se necessário lembrar que a adolescência é uma etapa evolutiva peculiar ao ser humano e não pode ser considerada simplesmente uma transição entre a infância e a idade adulta, pois é nessa fase que se processa a maturação biopsicossocial do indivíduo. A adolescência também é um processo de maturação sexual envolvendo perdas. É marcada por mudanças corporais que têm relação com a identidade psicológica e com a identidade sexual. Um dos aspectos que envolvem as identidades feminina e masculina é a associação à reprodução e ao prazer, concretizando-se na gravidez. O aumento progressivo da gravidez na adolescência é um fenômeno observado mundialmente, sendo este decorrente de vários fatores, dentre eles, podemos elencar: educação sexual insignificante e conseqüente desconhecimento dos métodos contraceptivos; banalização da sexualidade; vulnerabilidade na adolescência, decorrente de fatores psicossociais e aumento progressivo da promiscuidade. Estimativas indicam que, no Brasil, é elevadíssimo o número de adolescentes grávidas, pois cerca de 1.000.000 de adolescentes, entre 10 e 20 anos de idade, dão à luz todos os anos. A probabilidade da adolescente na faixa etária citada dar à luz é estimada entre valores acima de 100 por 1.000 nascidos vivos em alguns estados das regiões Norte e Nordeste e inferiores a 60 em estados do sul do País. A maternidade precoce consiste num período conflituoso, onde a mulher em desenvolvimento passa a ser futura mãe. A maternidade na adolescência é vista de forma preconceituosa pela sociedade, e esta culpa a adolescente por não ter seguido basicamente os padrões sociais pré-determinados. O conflito vivenciado pela adolescente grávida também é sentido pelos familiares, que se apresentam angustiados e preocupados por ser uma gravidez de risco e pelas dificuldades que a nova mãe irá enfrentar. A dedicação da família neste período são imprescindíveis, pois a mulher encontra-se permeada por medo e insegurança necessitando de pessoas que interajam e compreendam as reais situações vivenciadas por ela. Acredito que os setores que poderiam intervir de modo efetivo à valorizar a formação do adolescente, sem se omitir de trabalhar a sexualidade e a anticoncepção, sem prejuízo para sua socialização, seriam educação, comunicação e saúde, sobretudo com a finalidade de reduzir os riscos para a uma gravidez precoce e, na maioria das vezes, indesejada. (*) É enfermeira e professora (artigo escrito em parceria com Danyella Nogueira, estudante do 5º ano de Enfermagem da Ufal)