Opinião
Prioridades para o desenvolvimento
Roberto Bastos Costa * O desenvolvimento de qualquer região, definido aqui como espaço geográfico, carece, antes de tudo, do estabelecimento de políticas e prioridades, em propostas e planos de governo e, fundamentalmente, da definição e garantia de recursos orçamentários. Sem as condições mínimas necessárias para o seu processo de alavancagem não se faz propostas de desenvolvimento, no máximo se alimenta um processo lento de crescimento econômico. A estruturação básica de suas instituições e a oferta de infra-estrutura física significa criar um caminho claro de sustentabilidade para qualquer processo desenvolvimentista. Ao analisar-se as condições estabelecidas e oferecidas em Alagoas ao longo de sua história, não é exatamente isso que se observa. A estrutura político-administrativa do Estado nunca esteve a serviço da diversificação ou de uma visão desenvolvimentista no sentido mais amplo da palavra. As opções de desenvolvimento sempre se mostraram frágeis na vontade política de mudar, tímidas nas ações efetivas de criar essa base. O Estado sempre esteve atrelado aos interesses de uma pequena elite econômica e de uma minoria de servidores públicos herdeiros de prestígio. Algumas observações e exemplos são facilmente detectados ao longo do processo da economia alagoana. É verdade que nem todas as causas das diversas crises em Alagoas foram de ordem interna. A redefinição do papel das nações na divisão internacional do trabalho, provocada por guerras ou crises econômicas internacionais, contribuiu para modificar o quadro da economia mundial. Os avanços tecnológicos nos países de economia mais estruturada diminuiu e racionalizou custos, fortaleceu a base e as condições de desenvolvimento, tornando-os mais competitivos, aumentando a força política dessas nações diante do mundo. A visão conservadora, a dependência do setor agrícola, o domínio político daqueles que achavam que não seríamos afetados por mudanças internacionais, o ?olhar para o próprio umbigo? provocaram ou agravaram crises e atraso na economia alagoana. A opção do Estado como grande empregador, a corrupção, o endividamento e a má aplicação de recursos levaram a máquina administrativa ao caos. Acrescente-se atualmente a fuga de capital do setor sucroalcooleiro, um fato novo com resultados conhecidos. Desta forma é necessária a participação efetiva, organizada, planejada e constante do setor público, sem arroubos iniciais e abandono logo a seguir, assim como relações de parceria sólidas com o setor privado. (*) É economista e diretor do Instituto Sílvio Vianna