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Banho frio no escuro

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Luciano Siqueira * Um motorista que nos conduzia em Porto Alegre, por ocasião do Fórum Social Mundial, enaltecia as qualidades do seu papagaio, que parecia tratar como que a um filho. Falava tudo, o papagaio. Porém não podia sair à rua, advertia o dono, pois logo aprendia palavrões que se danava a repetir diante das pessoas as mais respeitáveis. Um vexame. Quando isso acontece, o jeito é um banho frio no escuro. Aí ele esquece os palavrões e volta a ser um papagaio sabido e educado. Com todo respeito, só dando um banho frio no escuro em algumas lideranças das oposições no plano estadual, em Pernambuco. Pois volta e meia destilam verdadeiros impropérios através da imprensa. Como as palavras o vento não leva, pelo menos em política vão se acumulando arestas que mais tarde poderão dificultar o entendimento. O subjetivismo corre fácil. A especulação infundada, idem. Pelo menos no que se refere às boas relações, no plano institucional, entre o prefeito da capital e o governador do Estado. Há pelos menos uns dois anos se levantam suspeitas de que, além do entrosamento administrativo, existiria entre ambos algum acordo político-eleitoral, em surdina. Veio o pleito municipal do ano passado e os fatos não deixaram margem a dúvidas. O governador Jarbas Vasconcelos apresentou um candidato a prefeito, o deputado Carlos Cadoca, por ele foi às ruas e à televisão, enfrentando frontalmente o prefeito João Paulo, que se candidatara à reeleição. Mas, para alguns, a prática não parece ser critério de verdade. Insinuam agora um hipotético acordo entre o prefeito e o governador ? algo que não resiste à análise mais rasteira. Pois se é certo que o presidente Lula se empenha em ter o PMDB como aliado em 2006, é igualmente certo que o governador Jarbas, mesmo vindo a acompanhar a maioria do seu partido numa aliança com o PT, não descolará da coligação que o sustenta no Poder Executivo estadual, que tem como núcleo o PMDB, o PFL e o PSDB. Terá, assim, seu próprio candidato à sucessão, que baterá de frente com o candidato da oposição, seja ele do PT ou de outra legenda. Por que, então, tanta ?imaginação criadora?? Talvez por carência de propostas consistentes ou, mesmo, por um equívoco tático: pensar que por aí é possível sensibilizar parte da opinião pública e acumular forças com vistas a negociações futuras. Melhor seria concentrar energias na discussão de um projeto de desenvolvimento econômico e social para o Estado, em sintonia com as novas perspectivas que se abrem em plano nacional. Assim, não haveria clima para desavenças, nem precisaríamos recorrer a um banho frio no escuro. (*) É vice-prefeito do Recife ([email protected])

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