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Coaliz�o

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Eduardo Bomfim * Muito se tem falado e escrito, nestes últimos tempos, sobre governo de coalizão. Significa, na verdade, acordo de partidos para um fim comum e, nestes casos, com objetivos mais que conjunturaisgrafo. Porque nas condições da política representativa, por meio dos partidos que definem o perfil da realidade social brasileira, para o bem ou para o mal, existem duas formas de se constituir uma maioria. Ou ela representa um caráter eventual de governabilidade, sem maiores propósitos, ou possui objetivos a longo prazo, estratégicos mesmo. Isto significa que um governo considerado como de coalizão, pode ter como objetivo primordial a adoção de um certo programa político-administrativo e, em outras circunstâncias, uma perspectiva mais transformadora das bases da sociedade. Na verdade, os governos de coalizão ou de frente, incluindo partidos políticos e segmentos da sociedade, não se constituem algo novo. Durante o século XX, principalmente, eles estiveram presentes tanto na Europa como em vários países do Terceiro Mundo. Em determinados momentos com o intuito de assegurar a consecução de um projeto de governo, em outros, como um movimento de libertação nacional ou mesmo contra tiranias estabelecidas. Portanto, o conceito, ou a idéia, é extremamente flexível e adquire significados variados conforme as circunstâncias e o período histórico. Corresponde à necessidade de um conjunto de setores políticos ou classes sociais juntarem suas forças visando à derrota de uma estrutura hegemônica caduca e superada pelas condições determinadas da história. No caso brasileiro, as políticas de frente ou coalizão sempre estiveram presentes no período mais recente da nossa história. Na defesa das reformas de base, durante o governo de João Goulart, no período da luta pela redemocratização do País, no episódio da vitória de Tancredo Neves no colégio eleitoral, em todas as campanhas eleitorais de lá para cá, inclusive no governo do presidente Lula. Depois da elaboração da doutrina de ?ataques preventivos contra inimigos dos interesses dos EUA?, para a defesa da soberania nacional brasileira e a governabilidade da atual gestão, uma sólida política de coalizão tornou-se mais premente ainda, inclusive porque se torna impossível definir com exatidão o que significa ?contrariar os interesses norte-americanos?. De toda sorte, é bom lembrar que uma frente de esquerda não é uma coalizão, nem uma frente sem a esquerda pode ser denominada como tal. (*) É secretário-executivo do Ministério da Coordenação Política

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