Opinião
Prêmio Nobel revela empoderamento, mas ainda segue luta para reverter
.
A ascensão profissional feminina é uma sensação incrível, principalmente depois que foram anunciados os novos vencedores do Prêmio Nobel 2023, sendo que quatro indicações apontam o trabalho e pesquisas de mulheres em diversas áreas, beneficiando e inspirando a população.
As vencedoras foram Claudia Goldin (Ciências Econômicas), Katalin Karicó (Medicina), Anne L’Huillier (Física) e Narges Mohammadi (Paz) e, para se ter uma ideia, apenas cinco mulheres já venceram o Nobel de Física, como Marie Curie. Claudia Goldin, por exemplo, é apenas a 3ª na categoria, desde 1969, estudiosa das questões de disparidade de gênero, analisando o mercado de trabalho sobre o público feminino.
A premiação acontece há mais de 120 anos, desde 1901, e apenas dois anos depois a primeira mulher foi laureada, a física e química, pioneira das pesquisas sobre radioatividade, Marie Curie. Ela é detentora de dois prêmios, sendo, até hoje, a única mulher a conquistar esse feito e a primeira entre ambos os sexos a receber um segundo título. Contudo, apesar de tão relevante conquista, o reconhecimento feminino ainda é muito baixo e, infelizmente, a conta-gotas, na própria Fundação do Nobel.
A premiação já agraciou 965 indivíduos em 122 anos, envolvendo apenas 64 mulheres. E, lamentavelmente, se a premiação for desmembrada de gêneros, será possível perceber que apenas metade delas foi vencedora, sem dividir o prêmio com um homem.
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió
Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"
A verdade é que o reconhecimento apenas reflete a realidade vivida ao longo de muitos séculos: a desigualdade de gênero. Os homens sempre tiveram mais oportunidades, decorrente de amplo acesso a estudos e trabalho, enquanto elas lutaram muito para abrir cada vez mais espaço nesse cenário.
Desde então, a presença feminina se torna cada vez mais presente em meios acadêmicos e no mercado de trabalho. O processo é importante, pois demonstra que elas sempre tiveram capacidade, contudo as oportunidades somente começaram a surgir com muita insistência e mobilizações para reverter preconceitos.
A premiação aponta uma nova cartografia desenhada pela academia, apresentando uma valorização sobre as realizações e pesquisas femininas, ressignificando e prestigiando as pesquisadoras.
A situação também demonstra avanço, em relação aos aspectos de igualdade de gênero, indicando mulheres ocupando, cada vez mais, funções de liderança, desenvolvendo estudos com contribuições notáveis e impactantes.
A indicação feminina pela Fundação do Nobel ainda envia uma mensagem positiva sobre a importância da diversidade e inclusão, incentivando as mulheres a seguirem, conquistando espaço e liberdade.
A luta pelo direito das mulheres do Irã, liderada pela vencedora do Nobel da Paz deste ano, Narges, foi reconhecida, enquanto ainda está na prisão. A ativista está cumprindo pena pela 13ª vez, por ser uma voz ativa que inspira jovens contra a misoginia e a repressão do Estado, impedindo-as de ter acesso a direitos humanos. O país tem intensificado a necessidade de as mulheres esconderem seus cabelos com o uso do hijab, o véu islâmico, e as ameaça com violência promovida pela “polícia da moralidade” e a proibição que estudem ou usem o transporte público sem a vestimenta.
Ações como a de Narges inspiram e deixam claro que a coragem, resistência e a luta por justiça e direitos devem prevalecer, mesmo diante de adversidades significativas, conscientizando a sociedade, inclusive entre aqueles que vivem em um ambiente diferente, promovendo solidariedade global e influenciando políticas e ações internacionais.
Ainda há muito a ser feito para conquistar a paridade de gênero em diversos meios, incluindo o Nobel, já que aproximadamente apenas 6% dos laureados são mulheres. Entretanto, as quatro indicações deste ano reforçam a ideia que estão na direção certa e que a promoção por igualdade de oportunidades é contínua. A premiação revela que elas estão fazendo a diferença e empoderando outras jovens pelo mundo.