loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

GRATID�O

Ouvir
Compartilhar

Foram longos quatorze dias na UTI, entre Maceió e São Paulo, e a incerteza do retorno angustiava. O susto foi após uma parada respiratória. Posso dizer com a plena certeza de que naquele momento um anjo chamado dra. Cláudia Falcão me reanimou e, pelas suas mãos, tive a oportunidade de viver de novo. Quem é aquela mulher? Ela poderia ter passado por mim sem dar a atenção devida, mas quem tem a missão de salvar vidas sabe o quanto esses instantes podem ser decisivos. Meu coração cansou e ameaçou parar. A sede de viver era muito maior. Cheguei à Santa Casa de Misericórdia sob a proteção de um grande amigo e médico, dr. Petrúcio, conhecido como Fifi. Já adoentado, diabético, um tanto teimoso, não queria preocupar a minha família e vinha encobrindo algumas complicações. Contei com o reforço de outro grande amigo, dr. José Wanderley. Passado o susto repentino da parada respiratória, o meu medo constante era perder uma das pernas. Vencemos a infecção avassaladora. A evolução no meu tratamento descartou minha incerteza. Venho de um histórico ?de deixa a vida me levar?, mas desta vez algo me fez refletir sobre o significado da vida e um propósito de mudança. Minha vida foi pautada por ajudar o outro e esse tempo dedicado a quem prezo sobrecarregou a minha saúde. Meus cabelos brancos, minhas marcas de expressão trazem no semblante tudo que já vivi nessa vida. Agora, preciso de uma pausa para cuidar de mim. Meu quadro de saúde evoluía entre lamúrias e contentamentos. A médica Cláudia Falcão, essa mulher de bondade herdada do pai, o médico Dirceu Falcão, não bastasse ter me retornado a vida, me acompanhou no processo de ida à capital paulistana, aliviando a minha família que viveria dias muito duros numa UTI. Pensava então: aquela senhora veio predestinada a fazer diferença em minha vida. Passados os dias nebulosos fora de casa, retorno ao lar. Sou uma pessoa de personalidade forte, um gênio teimoso de ser e me faço agir de maneira bruta para driblar os que querem me controlar, mas esse controle se remete em cuidado para alertar ao velho aqui já não tem mais seus 30 anos. Aqui estou abrindo meu coração, me expondo em nome do sentimento mais nobre que existe: a gratidão. Reconhecer esses anjos que agora fazem parte da minha vida, com a singela homenagem. Os médicos não conseguem explicar cientificamente o meu caso de melhora, que intitulo de uma nova chance. Encaro situações e planos dessa vida com um dos sentimentos mais nobres do ser humano: ser capaz de ver nas pequenas coisas grandes motivos para se alegrar e razões para agradecer.

Relacionadas