Opinião
Mulher eucar�stica
Dom José Carlos Melo, CM * É muito comum e, ao mesmo, impressionante, a devoção do nosso povo à Nossa Senhora. A este respeito, merecem ser lembradas estas palavras do papa Paulo VI sobre o mês de maio, em 1965: ?Muito nos agrada e consola este piedoso exercício, tão honroso, para a Virgem e tão rico de frutos espirituais para o povo cristão. Maria é sempre caminho que leva a Cristo?. Para nós, católicos, é claro e teologicamente correto que nossa Fé é Cristológica, ou seja, acreditamos em Jesus como Filho de Deus feito homem, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, e conseqüentemente, entendemos a Santíssima Trindade na perspectiva de Santo Tomás de Aquino: O Pai, aquele que criou, o Filho que foi gerado pelo Pai e o Espírito Santo que nos santificou pela graça. Daí, compreendemos a Mariologia ou o estudo sobre a pessoa de Nossa Senhora como colaboradora na obra da salvação, por ter sido escolhida para trazer ao mundo o Salvador Jesus Cristo, o Filho de Deus. Por isso, diz ainda Paulo VI: ?Nenhum encontro com Ela pode deixar de ser encontro com o próprio Cristo. Costumamos dedicar muitos títulos à Maria e entre eles merece lembrar a afirmação de Frei Inácio Larrañaga: ?Maria, antes de ser Nossa Senhora é Senhora de si mesma?. Mas nenhum outro título poderá preenchê-la, porque ela tem o maior e mais valioso título, o de ser a escolhida para a Mãe de Deus. ?Na Virgem Maria, de fato, tudo é relativo a Cristo e dependente d?Ele: foi em vista d?Ele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda Santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos?. (Marialis Cultus) Portanto, com base nestes argumentos teológicos, afirmamos que a genuína devoção do mês de maio e outras expressões de louvor à Maria devem pôr em destaque essa ligação indissolúvel e a essencial referência da Virgem Maria ao Divino Salvador. (LG 66) No mistério da encarnação, com seu ?Sim?, Maria se fez serva do Senhor e dos homens. Deus se fez carne por meio de Maria e começou a fazer parte de um povo. Sem Maria desencarna-se o Evangelho, desfigura-se e transforma-se em ideologia, em racionalismo espiritualista. A devoção mariana, como verdadeira expressão da piedade popular, caminha e se desenvolve ao lado das celebrações litúrgicas dedicadas a Nossa Senhora. Na verdade, o nosso povo tem seu modo próprio e peculiar de externar toda a riqueza de seus sentimentos de fé e devoção. Deste modo, cabe a nós o dever pastoral de apoiar, orientar e promover as celebrações do Mês de Maria. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió