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Opinião

Perdidos na rua

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MILTON HÊNIO * É impressionante o número de crianças abandonadas e desassistidas atualmente no Brasil. Aqui em Maceió nem se fala. Em cada esquina encontramos dezenas delas fazendo toda sorte de atrativos circenses ou limpando o pára-brisa do nosso carro em troca de algumas moedas. Julguei que o presidente Lula, que foi criança pobre e sofrida, tentasse resolver com brevidade este grave problema que tem se acentuado de forma preocupante no nosso país. Mas, infelizmente, o problema está se agravando a cada dia que passa. São crianças que vivem sem rumo, entregues à própria sorte, aprendendo nas ruas o que de pior existe. São crianças fruto de lares desfeitos, miseráveis e até agressivos. Como sempre, são as crianças pobres as que mais sofrem na disputa pela vida, ficando sempre às margens da estrada, pisoteadas e esquecidas. Estamos diante de um mundo materializado e confuso e de um país cheio de problemas, onde o povo começa a ficar angustiado pela perda da esperança de dias melhores. No Brasil, os políticos, em sua maioria, não trabalham visando ao bem-estar de sua gente, os projetos sociais levam anos para serem aprovados em nossas casas legislativas, os atos de corrupção de brasileiros que detêm partículas de poder são citados pela imprensa quase que diariamente, e assim, no meio desse rolo desorganizado, encontra-se a nossa criança. É certo que o mundo jamais viveu uma harmonia universal. Mas o que se observa hoje é a postura de uma sociedade passivamente emudecida, indiferente e tolerante diante de tantas injustiças e atos desabonadores contra o ser humano em seu início de vida. Submetidas a toda sorte de agressões, abandonadas, punidas injustamente desde pequenas, crescem portadoras de conflitos. As crianças que vivem nessa situação têm baixa auto-estima e um frágil senso de identidade. Serão tristes, medrosas ou agressivas, emocionalmente instáveis. Mais cedo ou mais tarde, de acordo com os acontecimentos tristes que viveram na infância, ao atingir a faixa da adolescência, explodirão de acordo com as agressões sofridas. A declaração dos Direitos da Criança, instituída em 1959, reza o valor e a necessidade que a criança tem de ser amada, bem cuidada pelos pais e pelos governos; de recebero proteção, educação e saúde. Infelizmente isso só ficou no papel. É uma lástima como o Brasil joga fora todos os dias um imenso tesouro. As crianças brasileiras estão crescendo num mundo de sacrifícios só tendo o choro como sinal de sofrimento e a morte como sinal de protesto. (*) É médico ([email protected])

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